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Jóquei Eurico Rosa da Silva se abre em biografia emocionante

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(Foto: Divulgação)

Muitas vezes achamos que fazemos escolhas por prazer, mas a dor também pode nortear as nossas vidas. Quando Eurico Rosa da Silva saiu de Buri, uma cidadezinha agrícola no interior de São Paulo, onde nasceu, ele tinha certeza de que se tornaria um jóquei excepcional. E realmente deu certo: venceu mais de 2.500 corridas internacionais e ganhou cerca de 120 milhões de dólares em prêmios para os donos dos seus cavalos. Chegou a receber um dos seus dois Queen’s Plate das mãos da Rainha da Inglaterra II e liderou sete temporadas na Woodbine Racetrack (em Toronto, Ontário) até a sua aposentadoria em 2019. Mas, mesmo bradando os maiores troféus, Eurico demorou a enxergar que a sombra de seu pai ainda lhe causava transtornos – e sua maior vitória foi contar sobre a sua vida no livro “Cavalgando pela Liberdade”, que foi lançado no dia 30 de abril, em solo brasileiro pela Insígnia Editorial.

Eurico nasceu, em 1975, de uma família profundamente religiosa de pobres fazendeiros que evitavam qualquer tipo de jogo, bebidas alcoólicas, televisão e cinema. Sua mãe, Aparecida, era trabalhadora e carinhosa, enquanto seu pai, José Maria, era preguiçoso e assediador. Quando tinha por volta de 4 anos, Eurico era levado no carro como álibi para seu pai se encontrar com outras mulheres – e, algumas vezes, até estuprá-las. Sua vergonha de testemunhar aquilo ainda cresceu com um sentimento de culpa por também ter nascido com problemas respiratórios, o que causava grandes despesas para a sua família por conta dos remédios.

Graças à sua paixão por cavalos, o jovem saiu de Buri e chegou a Itapetininga, também no interior de SP, para treinar com Zeli Medeiros. Foram 18 meses de muito trabalho e uma relação quase paternal com o treinador, que depois o enviou para o Hipódromo de Cidade Jardim, onde se tornou jóquei profissional aos 17 anos. Eurico se firmou como uma grande promessa no esporte, ganhando um dinheiro que nunca havia visto antes. No entanto, a sua vida pessoal cheia de cicatrizes o transformou em um homem viciado em sexo, festas e apostas na capital paulista.

Sua constante auto sabotagem vinha da péssima relação que teve com o pai. Apesar do crescimento profissional, Eurico não sabia construir relações amorosas com nenhuma mulher à sua volta. Sua raiva, insegurança e inadequação quase o fizeram tirar a vida. E sua ambição no esporte era quase como uma forma de tapar um buraco que lhe faltava desde sua infância no interior. Custou para Eurico se libertar desses gatilhos.

Co-escrito pelo jornalista Bruce McGougall, “Cavalgando pela Liberdade” é a caixa preta de Eurico Rosa da Silva, um dos maiores jóqueis brasileiros de todos os tempos. Atualmente morando no Canadá com a esposa e os filhos, o atleta lançou a sua biografia no exterior no início do ano. E, no dia 30 de abril, ele chegou para contar a sua história de superação no país machista e patriarcal que o criou.

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