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Música

Naldo, o Filho da Maré

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Foto: Divulgação

A cena é inesquecível: na sacada do quarto de um hotel de luxo no Rio, Naldo abraça o astro do cinema e do rap Will Smith. Enquanto isso, a multidão na praia não para de cantar – mas não algum dos hits do americano, e sim a sua “Amor de chocolate”. A glória, enfim. Ronaldo, o moleque sonhador da Vila Pinheiro, sorria por fora e por dentro. Ele se tornara o artista consagrado que sempre quis ser, e nos termos que estipulara alguns anos antes, quando entendeu que poderia fazer no Brasil o que Usher e Chris Brown faziam nos EUA: a mais negra e ambiciosa música pop.

No entanto, a estrada que ele enfrentou até chegar lá foi longa e cheia de curvas, como nos revela o documentário “Naldo, o Filho da Maré”, dirigido pelo próprio cantor. Cria de um dos lugares mais brabos do Rio de Janeiro, ele não só não renega as suas origens com faz questão de voltar à favela, conversar com os amigos de infância, lembrar os tempos no coro da igreja evangélica e os primeiros projetos artísticos com o irmão, Lula. Como muitos garotos da sua quebrada, eles viram no funk a possibilidade de furar a barreira de injustiças sociais que costumam condenar os seus aos piores destinos – e assim botaram os pés na estrada, cumprindo seus primeiros quilômetros.

“Naldo, o Filho da Maré” é uma grande história de superação diante das dificuldades e mesmo da tragédia, por alguém que se muniu de coragem, fé, persistência e criatividade para concretizar os seus planos. Ou seja: não se deu por mera obra do acaso o surgimento desse fenômeno pop que varreu o país no começo dos anos 2010 com sucessos como “Chantilly”, “Exagerado”, “Meu corpo quer você” e, claro, “Amor de chocolate” – o artista estava sempre pensando lá na frente, e acabou antecipando a onda de feats de astros internacionais (em “Se joga”, que gravou com Fat Joe; e “Maluquinha”, com Flo Rida). Além disso, ele testou no palco, sem rede de segurança, as propostas cênicas mais ousadas, das quais outros nomes da música se beneficiariam.

O Naldo artista, porém, é apenas uma das facetas apresentadas no documentário. Está lá também o Naldo abençoado – Benny – com uma família que tem sido seu espelho e o seu esteio no caminhar pela vida: pai, mãe, irmãos, esposa, filhos e – por que não? – os muitos amigos que fez ao longo dos anos e que estão juntos com ele para o que der e vier. E pode ter certeza de que 2021 é só o começo para o Filho da Maré. Muita história ainda está por ser escrita.

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