Fãs de Anitta manipularam o algoritmo para levá-la ao topo do Spotify?

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(Foto: Divulgação)

“Envolver”, de Anitta, chegou ao primeiro lugar no Top Global da plataforma de música Spotify em 25 de março, com 6,4 milhões de execuções (4,1 milhões vindas do Brasil). Desde então, o hit vem se mantendo entre as dez músicas mais ouvidas.

É mérito do empenho da cantora (que vem trabalhando com grandes artistas internacionais, como Cardi B e Madonna, para conseguir penetrar no mercado internacional) e de sua extensiva campanha de marketing, que incluiu inúmeros eventos e aparições na mídia norte-americana.

Mas também de uma inteligente campanha para afetar os algoritmos do aplicativo de música, que determinam quem vai para o topo dos “charts” (a gíria dos fãs de música pop para o ranking das canções mais ouvidas).

Em vez de assumir a autoria da iniciativa, o time de Anitta deferiu aos próprios fãs. Em 14 de março, sua conta no Twitter retuitou um seguidor que ensinava, passo a passo, como criar mais de uma conta e elaborar playlists em que “Envolver” tocaria várias vezes, ao longo de horas.

Era uma estratégia perfeita para driblar as exigências do Spotify – por exemplo, se você só clicar na música e apertar o botão de “repetição”, os algoritmos conseguem detectar e não contabilizam o play.

“Envolver 20x”

Foi como um rastilho de pólvora: o site Rest of World identificou mais de 100 playlists com nomes como “Envolver #1”, “Stream Envolver”, “Envolver stream party”, and “Envolver 20x”. Muitas delas diziam na descrição que o objetivo era levar Anitta ao topo. Algumas traziam mais instruções “algoritmicamente corretas”: “toque uma vez por dia, não deixe no modo aleatório e aumente o volume”.

O ritmo da ascensão de Anitta também foi calculado. O Spotify publica seus rankings diariamente, e os dados foram utilizados para expandir a campanha de maneira orgânica, sem exageros. Qualquer disparada fora do comum poderia acionar um “sinal de alerta” no sistema, e considerá-lo injustamente o trabalho de bots, que são estritamente proibidos.

Outros dois elementos-chaves foram o apoio de famosos e a viralização em plataformas como TikTok e Instagram. Celebridades incentivaram o “Envolver challenge” (desafio que fãs devem imitar): uma coreografia em posição de “prancha”, com movimentos do quadril e dos braços. A execução da música nesses vídeos rápidos também é contabilizada para calcular sua posição nas paradas.

Essa manipulação das “regras do jogo” levantou discussões interessantes. A Folha de São Paulo verificou que, segundo os dados do próprio Spotify, a grande maioria dos ouvintes de Anitta eram do Brasil, e não dos países-alvo da cantora, que lançou “Envolver” especificamente com o objetivo de consolidar uma carreira internacional.

Por: tilt

Written by Gustavo Neves

Além de gerenciar o conteúdo do portal, trabalho com marketing digital na indústria fonográfica com serviços prestados à gravadoras e grandes artistas.

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