O duo bilíngue de electro-pop Beau Nectar (as cantoras e compositoras Marie-Clo e éemi) lança “Tulip”, uma reflexão afiada e historicamente fundamentada sobre beleza, valor e colapso, com participação do aclamado duo de electro-pop de Vancouver Vox Rea.
Extraída do próximo álbum Dandy (previsto para o inverno de 2026 pela Indica Records), a música se inspira na tulipomania do século XVII — período em que flores eram negociadas por fortunas e até por membros da própria família — e reformula esse episódio histórico como um espelho dos padrões de beleza contemporâneos, sempre mutáveis.
“Nos anos 1600, as pessoas iam à guerra pela tulipa e podiam até trocar suas filhas por um simples bulbo; era esse o valor atribuído a ela”, explica Beau Nectar. “Pouco depois de atingir o auge da fama, a tulipa contraiu um vírus que fez suas cores passarem de monocromáticas para múltiplas tonalidades. E, assim, a tulipomania morreu.”
Misturando texturas de pop, rock e música eletrônica, “Tulip” equilibra uma atitude divertida e confiante com um peso temático mais sombrio. Camadas de sintetizadores e guitarras sustentam harmonias sobrepostas e vocais processados, criando um som que soa ao mesmo tempo envolvente e discretamente confrontador. À medida que a faixa se aproxima de uma atmosfera mais luminosa, o tema puxa de volta para destacar como a obsessão pode se deteriorar rapidamente quando os ideais se transformam além do reconhecimento.
O título “Tulip” também traz uma referência interna. É um eco linguístico do álbum de estreia francófono do Beau Nectar, Two Lips, um trocadilho que reflete a identidade vocal compartilhada do duo e a natureza colaborativa da faixa. Ao lado do Vox Rea, a música se torna um ponto de encontro entre dois duos — tanto no sentido sonoro quanto simbólico.
A colaboração com o Vox Rea aconteceu de forma orgânica e quase inevitável, inspirando Beau Nectar a compor “Tulip” durante a residência de Marie-Clo e éemi no programa Banff Musicians in Residence. O resultado é uma música forte, irreverente e enganosamente educativa — um lembrete, com humor sombrio, de quão rapidamente descartamos aquilo que um dia veneramos.
Produzida com Jace Lasek, ao lado dos colaboradores Olivier Fairfield e Philippe Charbonneau, a faixa explora o contraste ao fundir energia rock com elementos eletrônicos. “Queríamos ampliar as harmonias, brincar com efeitos vocais e simplesmente nos divertir no estúdio”, comentam, sem abrir mão de sua visão artística.
