Depois de estreia marcante da turnê de encerramento do disco La voz de la diosa Entropía, Daniel Drexler volta ao Brasil para os próximos shows

Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte e Foz do Iguaçu recebem o artista uruguaio – Porto Alegre terá nova data anunciada em breve

Depois de estreia marcante da turnê de encerramento do disco La voz de la diosa Entropía, Daniel Drexler volta ao Brasil para os próximos shows
Daniel Drexler em São Paulo, 04.05, por Renan Perobelli

De forma intimista, apenas com um violão e o público paulistano, Daniel Drexler fez a estreia da turnê de encerramento do seu nono disco, La voz de la diosa Entropía. O primeiro final de semana de maio, dias 4 e 5, abriu também uma sequência de shows pensados para aproximar o músico uruguaio de seu público. Com participação da multiartista paulista Bruna Caram, as duas noites se tornaram ainda mais especiais. Agora, depois de apresentações na Argentina, retorna ao Brasil para shows em Florianópolis (12 de junho, em duas sessões – a primeira está esgotada), Curitiba (14 de junho), Belo Horizonte (16 de junho), Foz do Iguaçu (22 de junho) e Porto Alegre (o show do dia 3 de julho foi adiado, a nova data será confirmada em breve). Em setembro, Drexler encerra a turnê com shows no Chile e na Espanha.

“Tocar no Sesc Pompeia, em São Paulo, foi uma experiência incrível. Desde o público (tão amoroso!), passando pela equipe técnica, estrutura física do palco e da plateia, até a equipe de luzes e som. Tudo conspirou para que eu guardasse na minha memória afetiva uma lembrança linda desses dois shows”, celebra Daniel, que cantou com o público canções como “En Esta Cama”, “2021”, “Vacío”, “La Voz de la Diosa Entropia”, “Salvando la Distancia”, além de apresentar pela primeira vez músicas que estarão presentes em seu novo EP – previsto para este semestre.

Em novo formato, o artista sobe ao palco acompanhado apenas de seu violão, amplificando o seu contato com o público: “São Paulo é uma metrópole cosmopolita, uma das cidades mais ricas e poderosas do mundo, tem o raro (e paradoxal!) dom de receber aqueles que se aproximam com a curiosidade e o carinho próprios de quem não perdeu a dimensão humana dos encontros”.

Todo o processo de composição do show foi um reflexo de seu próprio conteúdo, a relação versada no álbum entre o caos e a ordem – e a consequente busca pelo equilíbrio. O artista se debruçou em cada uma das oito canções do disco com um olhar mais atento para poder propor uma viagem junto à plateia. “Obrigado, Sampa! Já sonhando em voltar para te percorrer e te desfrutar novamente”, finaliza ele.

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Daniel Drexler em São Paulo, 04.05, por Renan Perobelli

La voz de la diosa Entropía

La voz de la diosa Entropía (Altafonte/Mapa Music) é o nono disco de Daniel Drexler, lançado em 2022. Com oito canções, o álbum transita entre o Pop, Candombe, Reggae e arranjos orquestrados. Drexler recebeu um dos principais prêmios da música uruguaia, o Prêmio Graffiti de la Música Uruguaya de Melhor Single Pop do Ano (2023) pela canção-título La voz de la Diosa Entropía, que conta com participação especial de Kevin Johansen, e Vitor Ramil em Y de pronto.

Fascinado pelo conceito científico e filosófico de que o mundo tende a desordem, o cantor personifica a conhecida lei da física em uma figura feminina e sagrada, que inspirou o caráter existencial do projeto. Em La voz de la diosa Entropía, ele reinventa o Olimpo dos deuses gregos e os substitui pelas grandes leis da física que regem o universo.

Médico de formação, conta que acompanha com entusiasmo o encontro entre arte, ciência e religião e revela: “foi a partir dessa intersecção que surgiu a ideia de falar de uma deusa. Como se a lei da física quântica, a lei da entropia, fosse uma deusa na verdade. Como se tivéssemos um Olimpo moderno onde, em vez de morar Zeus e Dionísios e Afrodite, ali moram a lei da Gravidade de Newton, a lei da Relatividade Especial de Einstein, a lei da entropia. E a lei da entropia é a deusa suprema. É como Zeus no Olimpo dos Gregos. Por quê? Porque não tem nenhuma outra lei da história da ciência que tenha um grau de consenso tão forte na academia. Praticamente todos os cientistas e filósofos falam que talvez essa seja a única lei da ciência que nunca vai deixar de ser certa. E é uma lei muito simples que diz: ‘As coisas, quando elas estão em liberar sua própria evolução, tendem-se a desorganizar'”, explica.

Questionado se ao chegar no final da divulgação do disco sente que o público compreendeu a mensagem do álbum, Daniel acredita que sim, até porque sentiu por parte das pessoas questões muito semelhantes:

“esse tipo de preocupação está muito presente. Qual é a relação que a gente tem com o caos? Qual é a relação que a gente tem com a ordem? Qual é o equilíbrio que cada um de nós tem que procurar para levar uma vida plena, para conseguir ao menos espaços de felicidade? A vida permanente tem que ter essa relação entre uma quantidade certa de caos e de ordem. E quando você atinge um equilíbrio preciso nessas duas quantidades, tudo começa a ser maravilhoso.

Mas ninguém tem a fórmula de qual é esse equilíbrio. É um equilíbrio que cada um de nós tem que achar. E é difícil de achar. E não é uma coisa que você atinge uma vez e fica para toda a vida. Não, não, não. Às vezes você consegue chegar ali, consegue morar numa situação maravilhosa. E dois, três meses depois você está de novo nessa angústia, nessa ansiedade de ui, não, demasiada ordem, não, demasiado caos, como consigo… É um equilíbrio dinâmico. E o que se fala de equilíbrio dinâmico é que você está o tempo inteiro se movendo. É como dirigir um barco. Você não vai em linha reta”.

Fazendo uma linha do tempo entre os primeiros shows da turnê, em 2022, até esta fase final, Daniel comenta: “acho que foi um processo que foi sendo levado até este ponto que eu cheguei agora. No início do disco, estava somente com o Martin Pisano me acompanhando no palco, ele toca teclado e dispara programações do Ableton. E também tem a particularidade de que, já desde os primeiros shows, não uso nenhum cabo. É tudo sem fio, aqui nos ouvidos e um microfone à minha frente. O violão também não está ligado. Ele está apenas microfonado. Então eu consigo uma naturalidade em cima do palco. Que se eu quiser parar e ir pra lá e cantar daquele lado e voltar para o outro lado, é muito natural. Tudo isso começou a acontecer nos shows de apresentação de La Voz de la Diosa. Acho que agora eu estou chegando como uma espécie de quando você faz uma destilação de cachaça e está procurando as gotas: estou chegando àquele ponto do máximo elixir”.

SERVIÇO

12 de junho (duas sessões) – O Araçá, em Florianópolis

14 de junho — Teatro Guairinha, em Curitiba

16 de junho — Teatro de Bolso Sesiminas, em Belo Horizonte

22 de junho — A Casa, em Foz do Iguaçu

Nova data a ser confirmada* – Theatro São Pedro, em Porto Alegre

*ingressos adquiridos para dia 3 de julho seguem válidos

SOBRE DANIEL DREXLER

Daniel Drexler é um músico e compositor uruguaio que ao longo de mais de 30 anos de carreira foi distinguido com inúmeros prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais. Sua obra abrange nove discos e um livro onde analisa os processos criativos das suas composições. Com um pé em suas raízes regionais e outro no mundo,  transita na canção pop com influências de gêneros folclóricos urbanos e rurais do Rio de la Plata. Suas letras exploram o mundo da poesia, assim como o da ciência e filosofia.

Sua obra é marcada pela criação de diferentes universos sonoros, conceituais e geográficos, onde as fronteiras são líquidas. Em Vacío (2006) mergulhou nas dúvidas existenciais e uniu a música uruguaia com a música pop. Com Micromundo (2010) percorreu os universos paralelos e a dialética macro e micro, a ideia de que o grande contém o pequeno e o pequeno imita o grande. Em Mar Aberto teve como referência criativa o álbum clássico de Miles Davis “Kind of Blue” e a “Modernidade líquida” de Bauman. Em Uno (2017) explorou a ideia de que somos múltiplos e únicos ao mesmo tempo. Em La voz de la diosa Entropía (2022), fascinado pelo conceito científico e filosófico de que o mundo tende a desordem, o artista personifica a conhecida lei da física em uma figura feminina e sagrada, que inspirou o caráter existencial do projeto.

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