Artista trans Marcella Maia anuncia carreira musical com lançamento de single e clipe

Marcella Maia

Símbolo de superação em todos os sentidos, Marcella Maia, ou A Maia, como assina agora o nome artístico, anuncia sua estreia na carreira musical. Modelo de sucesso, participações como atriz em produções como o filme hollywoodiano “Mulher Maravilha”, o clipe da cantora americana Fergie e a peça “Roda Viva”, de Chico Buarque, a artista trans que veio de uma infância humilde acaba de assinar contrato com a distribuidora Altafonte e lança, no dia 07 de agosto, o single e o clipe de “Pra Dá Dolce Bacana”.

“Sempre imaginei estar onde estou hoje. Quando minha voz desafina, ela não desafina como o ‘cis tema’. Trago minha luta, minha essência, um corpo político”, provoca a cantora.
“Pra Dá Dolce Bacana” é o primeiro de uma série de lançamentos musicais previstos para 2020. A artista bebe em influências musicais como o Pop, o R&B, o Afro Beats, o Rap nacional e a Música urbana. “A música tem que me atravessar de certa forma. Minha inspiração vem muito do que escuto e também da minha vivência, do universo que me rodeia”, diz.

A Maia garante que este é só o seu começo na nova empreitada. “Não consigo descrever em palavras tamanha emoção e orgulho por este trabalho. Foi duro, mas valeu a pena todo esforço. ‘Prá Dá Dolce Bacana’ é uma música para TODXS. Eu quero que as pessoas escutem muito, dancem, se liberem dos seus clichês e quebrem paradigmas”.

Com cenas de luxo e ostentação, a proposta do clipe é trazer uma nova perspectiva do olhar periférico de onde a artista nasceu. “Lá os meus e as minhas já estão cansados de ver e ouvir desgraça. Por isso, trago no clipe muita riqueza, beleza e ostentação, porque estou aqui para fortalecer o lugar de onde vim e dizer que é possível, quero as manas fortes. A miséria nós já conhecemos de cabo a rabo”, explica, acrescentando que todos têm direito de uma vida melhor: “Luxo e elegância normalmente não são espaços que nos são dados de mãos beijadas”.

Ativista LGBTQIA+, a mineira de Juiz de Fora que hoje se divide entre Brasil, Londres e Milão, assina a produção e roteiro do vídeo, gravado em dezembro na Itália e no Brasil. “Não me limite, sou diva, gosto de todas as cores e não defino meus amores”, declara a cantora. “Sonho alto. Até porque sonhar pequeno, médio dá na mesma”. E não é para menos. A Maia fala com propriedade de quem viveu momentos difíceis, mas nunca perdeu a vontade e a capacidade de sonhar.

Com a feminilidade bastante aflorada ainda na infância, a artista teve que lidar com preconceitos, bullying e abusos desde cedo. Aos 11 anos já trabalhava. Aos 15 saiu de casa e, trabalhando num sinal vendendo doces em Brasília, foi chamada por um olheiro de uma agência de modelos para fazer um teste. Mesmo não passando, conseguiu o seu primeiro emprego para ajudar a descobrir novos talentos. Com 18 anos e já se apresentando como Drag Queen em Juiz de Fora (MG), quando descobriu que de fato queria ser artista, foi vítima de trafico humano e obrigada a se prostituir em Londres. A transição de sexo veio anos depois, já superados alguns tabus, e Marcella demorou para conseguir falar com naturalidade do assunto.

“Não é uma genital que nos define. Somos o que queremos ser e aceitar não é opção, na verdade não precisamos de validação de ninguém. Fiquei calada por muito tempo por medo de perder trabalho. Hoje minha voz é forte e ecoa, nunca precisei levantar bandeira para conseguir meu sucesso, hoje levanto com orgulho porque é necessário, é preciso abrir a escuta, falar de nossos corpos no lugar do amor, da empatia. Pessoas estão morrendo por serem elas mesmas, o Brasil é o país que mais mata travesti. Represento muita coisa e sinto que tenho a responsabilidade de influenciar de forma positiva e impactar a mudança desse cenário que é tão marginalizado. Parte desse trabalho requer dedicação e saber de si e isso eu sei, sou uma mulher forte e é assim que prefiro ser mencionada”

Written by Redação

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