Zezé Di Camargo grava DVD solo e traz Wanessa como convidada

Repertório, cenografia e coreografia primam pela multiplicidade em espetáculo que põe até o cantor para dançar

Fruto de um trabalho iniciado no confinamento imposto pela pandemia em sua fazenda em Goiás, o novo DVD de Zezé Di Camargo traz o irmão de Luciano em versão solo, tendo a primogênita, Wanessa, como convidada. “Rústico”, nome que já batizou o EP do cantor em Goiás, também em versão solo, destaca-se pela pluralidade de um repertório com 27 canções, sendo 7 inéditas e 20 releituras, agora com gravação em São Paulo, no Villaggio JK. “O repertório foi escolhido por mim, tem as sugestões do meu produtor, o Felipe Duram, dicas do meu irmão Emanoel, mas o repertório, principalmente nas regravações, foi de músicas escolhidas por mim”, atesta Zezé Di Camargo. “Eu gosto de cantar o que me emociona, então este repertório está bem assim. Mesmo as músicas que foram indicadas por outras pessoas são as que me emocionam muito”, conclui.
Assim, foi a partir da sensação de que ele selecionou uma playlist que não discerne gênero e prima por um gosto pessoal, que a cenógrafa Ludmila Machado criou como cenário uma caixa de espelhos que reproduz a imagem do cantor em reflexos rumo ao infinito. “Fiquei pensando que é o Zezé sozinho, mas é o Zezé plural, são vários Zezés no palco. Então eu falei: ‘nossa, é Zezé no espelho’, o sentimento que eu fiquei foi de replicar esse Zezé ao infinito”, ela explica.

O artista também estará no meio do público, com um palco que obedece à intenção de colocá-lo em cena em um espaço que vai permeando a plateia, sem distinguir boca de cena e o fundo da casa, em uma linha divisória quase imperceptível entre ídolo e fãs. “Tem muita música inédita, estamos preparando para trabalhar em tudo, além de alguns clássicos da minha carreira e da minha vida, tem canções inéditas para trabalhar, tocar no rádio… Coisas bem bacanas, e com a qualidade com que sempre gravei e como sempre preservei. Músicas que têm a ver comigo”, confessa.

A presença de Wanessa, explica o astro, tem o objetivo de dar seguimento a um trabalho já feito em dupla entre os dois, o “Pai e Filha”. “Nós gravamos coisas maravilhosas e eu pensei: ‘Pôxa, ter a minha filha como convidada especial no DVD é um presente’. Ela escolheu duas canções, é a única participação que eu tenho no DVD e a intenção foi essa: homenageá-la como a grande cantora que ela é hoje.”

Zezé explica ainda que o novo trabalho tem um viés moderno. “Não é por se chamar ‘Rústico’ que precisa ser simples, acho que pode ter um simples com bom gosto e sofisticado, e o ballet pegamos pessoas do Street Dance e pessoas que dançam todos os gêneros musicais, não escolhemos exatamente um ritmo específico, misturamos vários estilos.”

O elenco conta com dançarinos de jazz, street dance e hip hop. Felipe Moura e Jéssica Braga assinam a coreografia e a direção de movimento, sendo que Jéssica é também preparadora corporal de Zezé Di Camargo.

“A escolha pelo nome ‘Rústico’ para São Paulo é porque a intenção da gente realmente é transformar esse projeto em uma Label, em que ele possa “mostrar artistas sertanejos de outras épocas, artistas que cantam no repertório mais sertanejo, mais raiz, mais rústico”, explica Zezé.

“Realmente, o mercado está precisando da música sertaneja, boa parte da música sertaneja de verdade, que há um vácuo aí”.

“Quando a gente canta um modão”, prossegue, “nesse sentido, a gente vê a reação das pessoas, é claro que o disco inteiro, o DVD inteiro, não é só isso, tem coisas atuais, com arranjo moderno atual, mas ele traz uma maneira de cantar e de arranjos que tem a ver com a época dos anos 90.
“Para mim, é uma honra gigantesca estar produzindo esse projeto maravilhoso, no qual eu tive a oportunidade de estar junto com Zezé no nascimento do trabalho, que foi construído com a gente junto, lá na fazenda, despretensioso, com os vídeos no Youtube”, conta o produtor musical Felipe Duram.

“Depois fizemos um pocket de cinco músicas, que eu produzi também. Eu que já tenho um histórico maravilhoso com Zezé e Luciano, desde ‘Sonho de Amor’ e ‘Flores em Vida’, estar produzindo esse projeto da nova fase do Zezé é indescritível”, conclui o produtor.

PASSO A PASSO

A gravação contará com um apurado espetáculo de coreografia, gerando um movimento permanente em cena. “Sou diretor de movimento e coreógrafo, e o processo está sendo muito prazeroso”, conta o niteroiense Felipe Moura, que há 20 anos trabalha com dança. “A princípio, a ideia era só preparar o Zezé para que ele pudesse ter um projeto mais intimista, onde ele mostrasse sua carreira de forma solo, com nova roupagem, nova perspectiva. E entendemos no processo que se a gente pudesse não só trabalhar a forma corporal dele no palco, mas também sua extensão através de um ballet, através de coreografias em que os bailarinos possam representar a sua música, seria melhor”, conta.

“Estamos ensaiando todos os dias e com uma carga horária de 8 horas”, continua. “Estamos fazendo algo único no Brasil, que é trabalhar com um artista do segmento sertanejo que tem uma pegada rock’n roll, uma pegada pop e uma pegada diferente, e colocando misturas de jazz, hip hop, danças urbanas. O Zezé também vai dançar, vai integrar o ballet, todas as partes fazem conexão entre elas, é um projeto híbrido, onde vai ter somente música, banda, ballet, mas um espetáculo em 360°”, conclui Moura. ​Diretor-geral do espetáculo, Júlio Loureiro diz que “foi muito gratificante” receber o convite para o DVD. “Não preciso nem me alongar para falar do tamanho e da importância dele para a música sertaneja e para a música brasileira. O mais interessante foi ouvir do Zezé que ele queria mostrar coisas que o público não tinha visto dele. Isso nos instigou”, admite.
“Mergulhamos com tudo no processo junto ao Zezé. E a cada encontro, uma nova surpresa. Encontramos um artista extremamente disposto e disponível para sair da sua zona de conforto e entregar o que o projeto precisava. Entendemos que ele era o principal componente desse projeto. Então focamos em sua performance. Caímos para salas de ensaio com ele para fazer exercícios e jogos teatrais e, posteriormente, marcações de cena.”

O diretor conta que tudo foi se encaixando bem. A banda, liderada por Felipe Duram, tem presença marcante no palco. “A conexão deles com o Zezé é muito legal. E entendemos como outro ponto importante para nosso show. Depois, entendemos que o Zezé tinha que estar muito próximo ao público. E aí a Ludmila Ayres Machado, a incrível cenógrafa, trouxe um projeto de palco que casava perfeitamente com isso que queríamos. Um palco inovador, que multiplicasse o Zezé e que, ao mesmo tempo, conectasse o Zezé, banda e ballet ao público.”

“E o ballet”, prossegue Loureiro, “caiu como uma luva”. “No processo, entendemos que seria fundamental e disruptivo ter um ballet que não participasse do show todo, mas que, quando participasse, desse um brilho especial. O ballet é composto por pessoas de diferentes cidades do Brasil”. São 13 profissionais selecionados a partir de etapas de audições online e presenciais. “Com perfis e estilos variados, do jeito que queríamos. Mostrando uma diversidade étnica e cultural como nunca visto em nenhum projeto do segmento. Sempre pensamos que essas diferenças pudessem se somar dando um resultado inovador e impactante. Acho que conseguimos!”

A Loureiro, soma-se Felipe Duram, produtor musical. Ludmila Machado assina a cenografia do palco e Carlinhos Nogueira, a direção de fotografia, enquanto Júnior Nom e Thiago Taranto exercem a produção técnica e conteúdos de LED se espalham pelo ambiente.

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