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Volta dos clássicos e playlists: como nosso consumo de música mudou na quarentena

Ju Pires

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Primeiro, quando a gente achou que iam ser só duas semanas, perdi um pouco o interesse em ouvir músicas novas, confesso. Depois de mais de um mês comecei a me conformar de que aquela era a nossa nova realidade e que seria interessante voltar a escutar o que estava rolando por aí. Agora já me considero voltando ao normal e adicionei os podcasts à minha rotina. Não podemos negar que o nosso consumo de música mudou, e muito. O que não faltam são motivos bem sólidos.

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Mudança no consumo de música

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A oscilação no interesse por música não foi um fenômeno pessoal, mas sim mundial. No início do isolamento social, quando a grande maioria das pessoas parou de sair para seus compromissos externos, o número de streamings nas plataformas digitais de música diminuiu brutalmente. Não precisa ser especialista para entender o que acontece nesse caso. Assim como eu, muitas pessoas tem o hábito de escutar música em trânsito, indo ou voltando de seus trabalhos, escolas, faculdades etc. Como isso não estava acontecendo, o aumento do consumo de YouTube e de TV a cabo deslanchou. Sabem também o que fez com que o número de execuções de músicas diminuísse no país? O Big Brother Brasil. Parece surreal, mas faz todo sentido. Com o isolamento, acompanhar ao vivo o que acontecia na casa parecia realmente a melhor escolha de entretenimento para alguns. Os singles poderiam esperar.

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Trabalhos adiados

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Muitos artistas chegaram a adiar seus trabalhos no início da pandemia, como Lady Gaga. A cantora adiou o álbum “Chromatica” por acreditar que o momento de pandemia não seria ideal para o lançamento. Ela acabou lançando o disco algum tempo depois do esperado e teve sucesso, ficando com todas as faixas entre as mais ouvidas na semana de lançamento. Por aqui no Brasil, Luisa Sonza conquistou o topo com “Braba”, lançada na primeira semana de lançamento e viu seu nome na lista das mais ouvidas mais duas vezes: com “Flores”, parceria com Vitão e “Toma”, com MC Zaac. Outros álbuns, já “engatilhados”, também viram a luz do dia em plena pandemia, como “111” de Pabblo Vittar.

Números de férias

Os números divulgados pelo Spotify no início da pandemia eram muito parecidos com os números alcançados na época de Natal e Reveillón, períodos em que muitos estão de férias. Os gráficos também mostram que os momentos de pico também mudaram.  Se antes, a parte da manhã e da volta pra casa eram as de maior movimento nas plataformas, agora esse número se espalhou, abrindo espaço para outros momentos da rotina. Se você não costumava lavar louça no meio da tarde, provavelmente agora já faz. E há companhia melhor que boa música?

BBB e podcasts

Aqui em casa, na primeira semana de isolamento optamos por cancelar o plano pago do Spotify, já que estávamos completamente envolvidos com séries no tempo livre que acabou surgindo sem o tempo de deslocamento e alguma diminuição no trabalho. E estamos em casa, afinal… Ao invés de ouvir as músicas, por que não assistir aos clipes? YouTube acabou virando a nossa vitrola. De vocês também? Assinamos, inclusive, mais uma plataforma de vídeo. Além do mais, estávamos assistindo ao BBB, né? Com o tempo fomos nos irritando com os anúncios e voltamos a pagar.

Outro hábito que adquiri nessa pandemia foi o de ouvir podcasts. Se já ouvia antes, agora já fazem parte da minha vida. Os podcasts com temas “zen” e de autoconhecimento dispararam o número de ouvintes, assim como os de bem estar e meditação. Tenho pra mim que, com o isolamento, é bom ouvir outras pessoas falando. Vai ver é essa a motivação para ouvir longos papos online muitas vezes com desconhecidos. O Spotify também divulgou que podcasts com temas de culinária e histórias para crianças também tiveram o consumo aumentado, assim como os que falam sobre saúde e prevenção do coronavírus. Ao mesmo tempo os podcasts com temas relacionados à saúde mental entraram em evidência, conforme o público foi prestando mais atenção nisso.

A volta dos clássicos

Mais fenômeno da pandemia é a volta dos clássicos. Os ouvintes tem procurado menos novidades e mais músicas que confortem e que tragam boas lembranças. Eu mesma ressuscitei várias músicas que não ouvia há tempos e separei em playlists. As “playlists de mood”, como a plataforma chama. Elas são aquelas que estão em listas de “músicas para malhar”, “músicas para cozinhar” e afins. O que a gente mais quer, sem poder viver a vida normalmente, é nos sentir bem, certo? Não há nada melhor para isso do que ouvir aquela música que a gente gosta, que traz lembranças boas e afetivas.

Mais que boas lembranças, os usuários do Deezer estão procurando por canções que lhes tragam bem estar no momento que estamos vivendo. Segundo dados divulgados pela plataforma, o estilo que mais caiu nos últimos meses foi o punk. Enquanto isso, MPB e rap acústico foram os gêneros com mais crescimento. Com as coisas caminhando para uma quase normalidade, será que a tendência é voltarmos para onde estávamos antes? Eu acredito que não. Novos hábitos já fazem parte de nós. E você? Como anda o seu consumo de música de vocês no meio da pandemia?

Ju Pires é jornalista e produtora de conteúdo com passagem pela rádio FM O Dia, Mix Rio FM e SulAmérica Paradiso. Fã de Britney Spears, seu lema é: “se a princesinha do pop superou 2007, somos capazes de superar tudo”.

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Britney faz aniversário, mas o presente é nosso: parceria com Backstreet Boys e uma playlist exclusiva Pop Cyber!

Ju Pires

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Um bom lema da vida é “se Britney Spears superou 2007, nós somos capazes de superar tudo”. É com essa frase motivacional que vou começar a coluna de hoje. 2 de dezembro é dia de comemorar a vida da eterna Princesinha do Pop! Pra comemorar, tem surpresa dela para nós e uma nossa para vocês, que eu conto no final deste texto.

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Ela chega aos 39 anos enfrentando um momento pessoal complicado, mas ainda surpreendendo os fãs não somente dela. Você tem aquele artista que do qual é muito fã e sempre que alguma coisa acontece, um monte de gente te marca nas publicações, te manda print e mensagens com “lembrei de você”? Pois bem. Eu tenho esse artista. Na verdade, dois (ou seis, se fizermos a conta certa). São Britney Spears e Backstreet Boys. Acho que dá pra imaginar a minha alegria ao ficar sabendo da notícia da semana: vai rolar uma parceria entre eles e eu não podia estar mais feliz. O famoso “ela faz aniversário, quem ganha é a gente”.

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Em comum, Backstreet Boys e Britney Spears têm muita coisa. Além de terem começado a fazer sucesso no mesmo ano, 1998, com “Everybody” e “…Baby one more time”, respectivamente, Britney e Nick fizeram testes para o Mickey Mouse Club. Ela passou, e foi apresentadora ao lado de Justin Timberlake, Christina Aguilera e Ryan Gosling, enquanto ele acabou, no mesmo ano, passando nos testes para entrar na boyband da qual faz parte até hoje. Suas carreiras seguiram paralelas e a cantora e o grupo também fizeram, em períodos muito próximos, residência em Las Vegas. Ela com o show “Piece of me”, de 2013 a 2017 e eles com “Larger than life”, de 2017 a 2019. Eles dividiam também o maior hitmaker do pop 2000, o produtor e compositor Max Martin, responsável por sucessos como “(You drive me) crazy” e “I want it that way”, além de terem mais de 25 anos de carreira.

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Britney Spears e Backstreet Boys nunca foram artistas que víamos como amigos. Ela era bem próxima dos supostos rivais da boyband, o ‘NSync, e teve um dos namoros mais famosos da música pop com Justin Timberlake, integrante da banda. Quem não lembra do look jeans combinandinho? Por conta dessa falta de proximidade, uma parceria inesperada em 2020 veio como um choque pra mim. Um choque bom, claro.

A cantora vai relançar o seu último álbum, “Glory”, com faixas inéditas como “Swimming in the stars” e “Matches”, parceria com a boyband. Os fãs descobriram o feat no susto, após a contracapa do vinil cair na web, divulgada pela loja. Essa não é a primeira novidade do álbum de 2016. Em junho deste ano, Britney conseguiu emplacar uma música lançada originalmente quatro anos atrás no topo das paradas, na frente de Lady Gaga, que estava lançando o “Chromatica” na ocasião. É que “mood ring”, a faixa bônus, estava disponível anteriormente somente no Japão. Britney, contrariando sua equipe, que temia ter o single apagado pelo álbum midiático da Gaga, ousou em disponibilizar a canção e acabou, sem esforço nenhum, alcançando o topo no ITunes em menos de 24 horas. A nova versão de “Glory” estará disponível nesta quinta, dia 04.

Quando falo de momento pessoal complicado… Põe complicado nisso! Britney faz aniversário enquanto na sua vida, pouca coisa é motivo para festas. Embora muitas vezes apareça tranquilizando os fãs em suas redes sociais, o movimento #FreeBritney tá rolando forte. A cantora enfrenta um processo que já dura meses na justiça para recuperar as rédeas da própria carreira e de sua vida. Depois de um colapso em 2007, seu pai, Jamie, é o curador de todo o seu patrimônio, avaliado em mais de 60 milhões de reais. Segundo o advogado de Britney, a cantora tem medo de Jamie e não se sente confortável para trabalhar fazendo shows novamente enquanto estiver sob sua tutela. Durante dez anos, a artista aceitou o esquema sem se pronunciar. Ela tem a vida financeira controlada, e todos os aspectos do seu cotidiano, incluindo medicação, fora do seu controle. Em agosto finalmente Britney se movimentou, e desde então tenta recuperar as rédeas da própria vida, enquanto o pai alega que a quase prisão em que mantém a filha é um gesto de amor.

O que não dá pra tirar de Britney é o seu legado de sucesso. Por isso que nesse dia especial, o Pop Cyber traz um presente exclusivo: uma mixtape exclusiva feita pelo DJ Claudinho Macedo (@oclaudiomacedo), da Festa Barrados no Baile, para o Pop Cyber. Ela passeia por todas as fases da carreira da cantora, desde sua estreia até o último single lançado. É pra dar o play e dançar mais de uma hora direto ao som de uma das maiores artistas da nossa geração com músicas escolhidas a dedo e com muito carinho. Por aqui fica o desejo de uma vida plenamente feliz, livre e com muita música nova em breve. It’s Birthday, bitch!

Ouça:

Lista de músicas:

From The Bottom Of My Heart
Lucky
Baby One More Time
Born To Make You Happy
Sometimes
Oops!… I Did It Again
You Drive Me (Crazy)
Stronger
Criminal
I’m Not A Girl, Not Yet A Woman
Work Bitch
I’m A Slave For You
Piece Of Me
Mood Ring
Make Me
Me Against The Music (feat. Madonna)
Gimme More
Radar
Till The World Ends
Hold It Against Me
Don’t Let Me Be The Last To Know
Womanizer
Toxic

Acesse: www.claudinhomacedo.com.br

 

 

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“Foca no meu bumbum”: Ludmilla, união feminina e empoderamento

Ju Pires

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“Ludmilla in the house, c******!!!”. E foi assim que ela entrou no palco do Prêmio Multishow, que aconteceu nesta quarta, 11. Tudo deu certo na noite para Ludmilla. A cantora acertou em cheio ao marcar o lançamento da sua música, “Rainha da favela”, para a virada de quarta para quinta, quando também faria o seu show na premiação, que marcou a primeira performance do seu novo single. De quebra, ainda levou pra casa o prêmio de música do ano, com “Verdinha”, momentos antes de subir ao palco. Em seu discurso, Lud reforçou a importância de estar de volta como vencedora na mesma premiação em que foi vaiada no ano passado, ao receber o prêmio de “Cantora do ano”. Naquele momento, ela protagonizava uma das maiores brigas da música em 2019: a confusão com Anitta por conta dos créditos na composição da canção “Onda diferente”.

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A briga com Anitta, aliás, deu origem à “Cobra venenosa”, single da Ludmilla. Pelo menos é o que dizem, mesmo que a própria negue. “Gosto de tirar proveito das situações de forma positiva”, disse Lud em um trecho do mini doc postado em suas redes sociais para o lançamento de “Rainha da favela”. E foi para falar de superação que a música nasceu. A cantora quis destacar o empoderamento das mulheres, do poder de cada uma sobre o próprio corpo e até sobre o direito de agir em relação à ele como bem entenderem. “My pussy mata rindo”, inclusive, é uma das frases da música. Não vou nem traduzir, hein?! Que eu sei que vocês entenderam.

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Superação e performance aclamada

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Estar bem resolvida não significa estar indiferente aos ataques que sofreu ao longo de sua carreira e sofre até hoje. Em sua performance no Prêmio Multishow 2020, antes de cantar sua nova música, Ludmilla colocou áudios fortes de racismo e intolerância que foram direcionados a ela. “O cabelo dela tá parecendo um bombril”, dizia um deles. Um outro a associa à uma criminosa: “A cantora Ludmilla precisa entender se ela quer ser cantora ou traficante” e em outros pudemos ouvir trechos de reportagens de televisão denunciando o racismo que a cantora sofreu, inclusive o caso em que foi chamada de macaca por um internauta.  Logo em seguida mostrou que sempre que cai dá a volta por cima, e fez sua elogiada apresentação.

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Inspiração e, finalmente, união feminina

Bem… Só de ganhar a categoria Música do ano” com “Verdinha”, Lud mostra a que veio. A canção fala quase que abertamente de maconha, tema polêmico por si só, e teve como inspiração a hipocrisia da sociedade ao redor do uso da erva. Para “Rainha da favela”, Ludmilla encontrou inspiração na comunidade. “É lá que moram as verdadeiras rainhas pra mim”, disse. “De lá saem as mulheres mais raçudas que conheci e por isso essa homenagem à elas”. Para essa homenagem, a cantora resolveu chamar grandes rainhas do funk, mulheres que vieram antes dela e que foram referências para a sua carreira: MC Carol de Niterói, Valesca Popozuda, MC Kátia Fiel e Tati Quebra Barraco. As quatro participam do clipe da música.

Em comum, as funkeiras tem os famosos “proibidões”, com letras de total empoderamento feminino que eram feitas muito antes da palavra estar na moda. Mas, além disso, se tinha uma coisa que as letras dos anos 2000 tinham era briga de mulher. Ô se tinha: era “fiel” contra amante, muita invejosa e beijinho no ombro distribuído como provocação. Elas hoje entendem que a união feminina é mais que importante. Foi a tal guerra contra as amantes que fez a MC Kátia ganhar o apelido de Fiel. “Entrei no funk para defender as mulheres com compromisso”, explicou a própria no mini doc feito pela equipe de Ludmilla para o lançamento do novo projeto. Valesca, que há alguns anos cantava “do camarote quase não dá pra te ver”, hoje afirma que fala o que quer, mas com ressalvas. “Seja uma rainha sem pisar e humilhar as pessoas”. Se antes ter um marido “que banca” era troféu, hoje em dia já não é mais. Para MC Carol, independência é não depender de homem. “Rainhas são batalhadoras que sabem se virar”, diz.  A disputa entre mulheres está longe de acabar, mas aos poucos, parece que logo, logo vira coisa do passado. “Eu sempre quis a união das mulheres”, diz Tati. “Ludmilla proporcionou isso com essa música”.

O clipe, banho de guaraná e churrascão na laje

Para o clipe de “Rainha da favela”, Ludmilla foi para a comunidade da Rocinha. É na comunidade que ela acredita que vivem as verdadeiras rainhas batalhadoras e guerreiras. Como co-diretora, ela teve a ideia de colocar no clipe uma mesa que faz referência à Santa Ceia, onde as cinco funkeiras passsam, uma para a outra, coroas imaginárias. A referência ao momento religioso não foi para afrontar. Em entrevista ao jornalista Leo Dias, Lud explicou que a intenção era dar importância e mostrar a cúpula do funk, representando o famoso churrascão na laje. “Não há intuito de criticar ou cutucar, eu queria que todas fossem vistas e nada melhor do que uma reunião com todas compartilhando whisky, charuto e champagne”, disse. A bebida cara se misturou à várias referências do que faz sucesso no cardápio do subúrbio do Rio de Janeiro: frango assado, torta salgada, espetinho à vontade e até um tipo de canapé conhecido como “sacanagem”, uma delícia feita com presunto, azeitona, cereja e queijo em um palito de dente. Só achei que faltou um clássico da dona Silvana, mãe da artista. Quando Lud apareceu, ainda como MC Beyoncé, a conheci em um trabalho de rádio e ela falava pra todo mundo que estava comendo no camarim: “vocês estão gostando disso aí, é porque não comeram a macarronese da minha mãe”. É com orgulho sempre que a cantora fala das mulheres da família. Em seu mini doc ela diz que considera primeiro a avó e depois a mãe como suas verdadeiras rainhas e que, inclusive, salvou o número das duas assim no telefone. No clipe, Lud protagoniza cenas sensuais ostentando dinheiro com outra grande rainha da sua vida, sua esposa Brunna. Em outras cenas, Lud aparece subindo em um jatinho. Ela é raiz, mas também é poderosa!

Em alguns trechos do clipe, Ludmilla aparece em cima de um caminhão que acabou de tombar. Ela compra a carga do motorista com bolos de dinheiro pra fazer a alegria da comunidade. A cena faz referência ao que acontece quando algum tipo de carga acaba tombando próximo à algumas comunidades. É normal que a população se aglomere para garantir o seu engradado e levar para casa algum produto que provavelmente não teria na mesa. Lud transforma o que poderia ser triste em uma cena divertida e cheia de festa, tomando um baita banho de guaraná em garrafa pet, junto com a galera e a criançada que está em volta.

Continuação?

Será quem teremos um “vem aí”? Ou uma continuação? O final do clipe tem Ludmilla no jatinho falando em espanhol ao telefone dizendo que acaba de subir no avião e que está chegando. Até aí tudo bem. Mas a direção do clipe, de Felipe Sassi, alimenta a imaginação de quem conhece seu trabalho. Felipe é famoso por criar universos que conversam entre si nos seus trabalhos. Foi assim com os clipes de Lia Clark, Wanessa, Gloria Groove e IZA. As histórias de cada um dos clipes se cruzou em alguns momentos. Eu aposto em uma nova parceria de peso em espanhol ou na artista passando a bola para o clipe de outro artista. O que vocês acham?

Mas a pergunta que não quer calar mesmo é: “Rainha da favela” é um proibidão? Depende de como você quiser escutar. Um dos trechos da música diz “foca no meu bumbum”, que, malandramente, Ludmilla deixa em aberto. “Se você ouvir rápido, ouve soca”, explicou a cantora. “É o trocadilho da Lud”, conclui. Cada rainha que escolha a sua versão, não é mesmo?

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Voto popular ou júri especializado? Entenda as principais premiações musicais

Ju Pires

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Em um ano tão complicado como 2020, se teve uma coisa que segurou a nossa onda foi a arte. A música, mais especificamente, não parou de ser produzida em praticamente nenhum período da pandemia, ao contrário de outras obras, como as de vídeo e filmes, que exigiam um alto grau de aglomeração. Praticamente no fim do ano, não faria sentido não comemorar tudo o que foi produzido nos últimos meses. Por conta disso, grandes celebrações da música optaram por não adiar, mas sim, por eventos menores, sem aglomeração e online.

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Nesta semana, já tivemos o EMA (Europe Music Awards) e nos próximos dias teremos Prêmio Multishow aqui no Brasil. Tivemos recentemente outra premiação da MTV Internacional, o VMA e também o Billboard Music Awards. O Grammy 2020 aconteceu ainda em janeiro, antes do Coronavírus aparecer pesadíssimo em nossas vidas e já tem a edição de 2021 marcada: será em 31 de janeiro, “com vacina ou não”, segundo o próprio site deles. No próximo dia 24 de novembro, vai rolar uma live com o presidente da academia, Harvey Mason Jr. E com os vencedores das últimas edições para anunciar os concorrentes. A live será feita com cada um aparecendo de forma remota. Sites especializados apontam Harry Styles, Lady Gaga, Dua Lipa e The Weeknd como possíveis nomes para levarem pra casa o prêmio de “Álbum do ano”, o mais esperado da noite.

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Você sabe como cada premiação escolhe os seus vencedores nas categorias? O Billboard Music Awards, por exemplo, tem como padrão os dados de interação dos ouvintes com a música. Ou seja: levam em consideração as vendas digitais das músicas e álbuns, assim como números de streaming, reprodução em rádios e também o engajamento dos artistas nas redes sociais. Sendo assim, talvez aquele álbum que nem tenha sido tão reproduzido, mas que tenha um single de muito sucesso, tenha mais chances de entrar na lista. Somente três categorias são escolhidas através do voto popular. São elas: “Alcance nas Paradas”, “Top Artista nas Redes Sociais” e “Top Parceria”.

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Enquanto o prêmio da Billboard é baseado em dados, o VMA tem praticamente todas as categorias escolhidas pelo voto popular, pela Internet, a não ser as categorias técnicas. Em 2019, a MTV lançou algumas categorias para voto nos stories do Instagram, podendo ser votadas durante somente 24 horas. O EMA, premiação que foi ao ar ao vivo no último domingo, segue a mesma linha de votação por meio dos fãs, e foi um dos assuntos mais comentados nesta semana. Ele foi apresentado pelo grupo Little Mix, direto de Budapeste e teve até participação brasileira. Anitta foi a apresentadora de uma das categorias da noite e concorreu ao prêmio local, na categoria “Melhor artista brasileiro”. Ela concorria com nomes de peso na cena nacional, como Djonga, Ludmilla e Emicida, mas quem levou a melhor foi Pabblo Vittar, pelo segundo ano consecutivo. Como a votação é popular, não é de se espantar que o grupo coreano BTS tenha levado a melhor, com quatro prêmios abocanhados: “Melhor Grupo”, “Melhor Música”, “Melhor Live” e o de “Maiores Fãs”. O BTS é atualmente o grupo musical de maior destaque no mundo e não é surpresa nenhuma que os fãs se mobilizem para que os prêmios sejam todos deles.

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Já o Grammy, principal premiação do mundo da música, escolhe os pré-indicados através dos membros da Recording Academy, composta por cerca de 150 profissionais do mercado, entre eles técnicos de som, músicos e outros. Eles escolhem trabalhos que foram lançados entre 1º de outubro de um ano até 30 de setembro do ano seguinte. Feita a pré-seleção, 12 mil membros da Academia votam nas mais de 100 categorias. Depois disso, dois meses antes da premiação, a primeira lista dos vencedores é divulgada e acontece uma nova votação, esta feita por somente dez pessoas. Ufa! O Grammy é um processo longo, né?

Por aqui, no Brasil, nesta quarta acontece o Prêmio Multishow. A premiação é praticamente decidida inteiramente por voto popular. Um júri formado por profissionais da música escolhe os indicados das categorias “Música chiclete”, Dupla do ano”, “Cantor do ano”, “Cantora do ano” “Música do ano”, “Experimente”, a novidade “Live do ano”, entre outras. Para o público fica a responsabilidade de votar entre os destaques e também na categoria “Clipe TVZ do Ano”, cuja votação, pelo Twitter, continua acontecendo até os momentos finais do prêmio, e é a última categoria a ter um vencedor anunciado. Enquanto a premiação acontece, um Superjúri especializado avalia e decide junto, ao vivo, os ganhadores das categorias “Canção do ano”, “Álbum do ano” e “Revelação do ano”, além de categorias técnicas como “Produtor do ano”, “Capa do ano”, “Gravação do ano” e “Clipe do ano”, que é diferente da categoria escolhida através do Twitter.

Quis colocar aqui cada tipo de premiação e votação para propor uma discussão (das saudáveis e gentis, hein?!): qual é o tipo de premiação que você prefere? Aquela com os vencedores escolhidos por fãs ou escolhidos por um júri especializado? Eu, particularmente, acredito que cada uma tem a sua peculiaridade. Considero o trabalho de especialistas muito bem feito, com muito estudo e tempo dedicado. Ao mesmo tempo que considero também muito genuína a opinião do consumidor final da música, que somos nós. Porém receio que uma votação inteiramente na mão do público acabe não dando a menor chance para os artistas ainda menores, que não possuem um bom número de fãs. É por isso que é sempre bacana acompanhar o que acontece nos prêmios grandes e também nos menores. Pesquise não somente os vencedores, mas também os indicados. Cada premiação é a chance de aumentar a sua playlist pessoal e conhecer artistas muito interessantes. O prêmio final e mais importante é simbólico e vou cometer a ousadia de entregar: nosso agradecimento à todos que estão produzindo música ano tão difícil, fazendo com que as coisas sejam mais leves.

 

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