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Rock in Rio: Com show pop e dançante, Justin Timberlake cativa público

Muito bom nos seus álbuns solo, Justin Timberlake tentou trazer um pouco desses arranjos mais sofisticados à sua apresentação no Rock in Rio 2017, que fechou o primeiro fim de semana do festival neste domingo (17). Foi um show que privilegiou o som e menos a figura do ex-N’Sync, que abriu a noite nas sombras, escondido atrás do chapéu e do figurino preto, fazendo o tipo cool despretensioso em “Only When I Walk Away”.

O repertório não é muito diferente daquele que Timberlake apresentou no RiR em 2013. Como na outra oportunidade, a banda de apoio sustenta o show, enquanto o cantor dança e interage economicamente com o público, que logo de cara recebeu a dobradinha “Suit and Tie” e “FutureSex / LoveSound” (com um trecho de “Don’t Hold the Wall” no meio) como uma promessa de um baile suingado. Timberlake arregaçou a calça, mostrou as canelas finas, mas a partir de então foi uma performance morna marcada não pela energia e sim pela organização sonora.

Isso ficou claro em seguida, quando o hit “My Love” tocou em arranjo diferente do registro de álbum, mais quebrada, evidenciando o trabalho da banda e novamente escondendo o cantor (num momento quem ficou na ponta do palco foram apenas os músicos). Timberlake ocupou a arena lotada do Rock in Rio mas sua performance parecia prescindir do envolvimento do público, que assistiu a números tecnicamente envolventes mas meio distantes (com algumas exceções, como “SexyBack”, num arranjo que privilegiou as guitarras e saiu mais como uma canção de estádio mesmo).

Embora tenha ensaiado no começo que poderia jogar para a torcida, respondendo a uma cartolina de pedido de presente de aniversário descendo junto à galera, o cantor se manteve fiel à proposta autoral de diminuir sua presença para colocar a música em primeiro plano. Quando mandou “Drink You Away” (“Vocês estão bebendo aí, não?”, perguntou com a voz meio enrolada, de quem realmente parecia ter tomado umas antes de entrar em cena), novamente se alinhou sobre o palco com seus músicos, enquanto no telão um efeito de fumaça apagava a imagem da banda.

Quando a faixa emenda em seguida de forma incisiva com “LoveStoned / I Think She Knows”, volta a promessa de gingado e energia, mas no geral foi uma apresentação que privilegiou o soul romântico para casais, com direito a banquinho e violão com “Cry me a River” e o hit “What Goes Around” em desvantajosa versão acústica. Tudo bem que já era madrugada de segunda-feira, mas você percebe quando a coisa vai ficando miada porque o gargarejo desafoga com as primeiras desistências e dá pra chegar mais perto do palco na segunda metade do show.

Aparentando exaustão, Timberlake de novo desaparece atrás do som ao final, em “Mirrors”, mas os close-ups no telão mostram o cantor emocionado e satisfeito com a resposta do público, e ele manda um “eu amo vocês” sincero enquanto se despede. Foi um dos momentos emocionais de uma apresentação marcada pelo script bem calculado e cronometrado.

Gustavo Neves

Jornalista, 23 anos, produtor de conteúdo, trabalho com marketing digital na indústria fonográfica. E-mail: contato@portalpopcyber.com

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