Reiner lança o single Cor e questiona o não-lugar das fronteiras raciais

Reiner lança o single Cor e questiona o não-lugar das fronteiras raciais
Reiner por Duda Santana

“Me deram uma cor difícil de escolher, só a gente sabe o peso que isso tem, entre o branco e  o preto”, canta o paraense Reiner em seu novo single, Cor, em que reflete a respeito de sua vivência como um pardo amazônida. “A palavra pardo é polêmica, mas dividir a discussão racial no Brasil em preto e branco é invisibilizar os povos indígenas, caboclos e ribeirinhos amazônidas que também são seres racializados, que têm espaços negados e são ligados a outro tipo de cultura além da cultura negra”, divide o artista. A música chega às plataformas de streaming neste 20 de Setembro, e antecede o disco Elã, com lançamento marcado para Outubro.



“Na Amazônia, temos sangue indígena, preto e branco”, continua o artista, que na letra da canção abre um debate a respeito da colocação de que “pardo é papel”, fazendo referência à exposição do artista Maxwell Alexandre. “Ele é um artista que admiro muito, mas na música faço uma crítica ao apagamento que existe dentro dessa afirmação. As pautas identitárias discutidas no sudeste do país não se aplicam ao que vivemos por aqui. Há um desconhecimento interno e externo. A única certeza é: não somos brancos e nem negros”, afirma Reiner.

As problemáticas da miscigenação abordadas na letra se refletem também musicalmente, com, por exemplo, a escolha do samba para conduzir a faixa, e o fato de que ela se transforma em uma cúmbia no interlúdio, com inspiração em grupos como Buena Vista Social Club e Los Mirlos. “No contexto amazônico, a cúmbia influenciou muito os ritmos tradicionais da região. Além disso, optei por um vocal meio arrastado para tentar expressar esse não-lugar racial e social”, comenta o artista, que lança o álbum em Outubro com apoio do Edital de Música da Lei Paulo Gustavo do Pará.



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Capa de Cor com foto de Duda Santana e design de Rodrigo Cantalicio

SOBRE REINER

Reiner é  músico e produtor musical que integra a nova geração da música de Belém (PA). Sua carreira é uma fusão de música tradicional e influências globais, combinando elementos da música negra brasileira com sons do resto do mundo. Começou a lançar músicas em 2016 com o EP Filho da Nuvem. Em 2021, lançou o EP Breu, em que o artista mergulha em questões como a experiência afro-brasileira e as complexidades da saúde mental. O trabalho entrou para a Hotlist da Rolling Stone e foi incluído na cobiçada playlist Indie Brasil do Spotify. Atualmente, Reiner dá início ao seu primeiro disco com a faixa-título Elã.

 

Sua jornada inclui também uma residência artística no programa LabSonora, experiência imersiva na Amazônia que resultou, entre outras coisas, na instalação Cabeças Sonoras, no Rio de Janeiro. Além disso, a performance experimental LabSonido no festival Sonido evidenciou ainda mais a influência amazônica em seu trabalho, demonstrando sua capacidade de transcender fronteiras musicais e culturais. Entre os pontos importantes de sua carreira está também a participação no festival Psica, em que dividiu o line-up com Elza Soares.

 

No álbum de estreia, Elã, ele vai dar continuação à sua exploração musical, misturando referências musicais diversas e abordando temas sociais relevantes, reafirmando a música como um veículo poderoso para expressar mudança e dar voz a questões cruciais.

Publicado por Gustavo Neves

Gustavo Neves, jornalista e especialista em marketing, produção de conteúdo e definição de linha editorial, possui vasta experiência na realização de entrevistas, organização de coberturas de eventos, gerenciamento de redes sociais e coordenação da equipe. E-mail: [email protected]