Connect with us

Colunas

Por onde andam os álbuns? Viraram EPs?

Published

on

CDs

Na minha época de adolescente, nos anos 90/2000 era o maior barato comprar um CD. Acredito que tenha sido uma das maiores diversões da minha vida. Era uma grande alegria ouvir uma história completa, que foi pensada para ser um conjunto… Naquele momento, antes da Internet ser tão presente nas nossas vidas, o álbum físico era tudo o que tínhamos nas mãos. Eu gostava de ouvir as músicas que já estavam sendo executadas no rádio, na TV e de imaginar qual seria o próximo single, o próximo clipe. Amava quando o meu palpite estava certo. Ficava surpresa quando errava, meu faro de hit não costuma falhar. Daí criava, na minha imaginação, o cenário em que aquele trabalho tinha sido feito. O cantor estava num momento feliz da vida? Será que essas eram as músicas mais tristes que escreveu? Fora a emoção que era pegar um CD nas mãos, abrir o encarte e devorar cada minuto gravado. Claro que eles ainda existem, porém concordamos que o hábito de compra-los diminuiu, não? Eu comprava até pouco tempo para escutar no carro até o baque: os disquinhos metálicos estavam mesmo em extinção. Descobri quando percebi que muitos aparelhos de som automotivos já chegam sem o CD Player. Um divisor de águas, sem dúvida. Mas eles continuaram por aí, só que em formato digital.

Mesmo fã dos CDs, consumo as plataformas digitais e ouço músicas online como quase todo mundo. Tenho observado que os álbuns são uma raridade hoje em dia. Aqueles que tem mais que seis músicas, com uma ficha técnica imensa, com muitas parcerias, e deram lugar aos singles e aos EPs, obras menores, que variam entre uma a quatro músicas em cada lançamento. Acredito que isso tenta ficado na minha cabeça depois que começou a circular na Internet uma fala de Beyoncé, que não sei quando foi gravada, que dizia mais ou menos assim: “as pessoas não fazem mais álbuns, elas só tentam vender esses singlezinhos rápidos”, disse a cantora. “As pessoas não escutam mais uma obra completa”. Beyoncé tem total autoridade para falar sobre o tema. Além da sua mais recente obra  prima “Black is king”, a cantora tem em sua coleção de trabalhos muito elaborados. Eu concordei imediatamente com ela, ao mesmo tempo que discordei. Um EP também pode ser considerado uma obra completa, não? Por isso tentei entender.

Um EP dificilmente é lançado hoje em dia em formato físico e ficam disponíveis nas plataformas digitais. Neste terreno, há espaço para todo mundo. Optar por gravar menos músicas pode ser, inclusive, uma tentativa de economizar. O valor para a gravação e produção de várias faixas pode ser altíssimo para alguns, e o resultado prático, o mesmo. Há quem diga que a popularização dos singles e EPs seja a escolha mais cuidadosa do artista. É um ponto de vista interessante para se pensar: se tem menos música, melhor se trabalha cada uma delas. Outro motivo é que a escolha aconteça por conta da velocidade com que as coisas vem acontecendo. Com a correria, poucas pessoas tem tempo suficiente para conhecer bem um álbum completo. Dessa forma, algumas faixas ficam subaproveitadas em um mar de informação em que estamos mergulhados o tempo inteiro. E tem mais. A necessidade de estar em evidência o tempo todo conta muito na escolha. É que quando o artista lança uma obra pequena, a probabilidade dele estar com uma novidade em um curto período de tempo é bem maior. Então tem lançamento atrás de lançamento. Assim nunca perdemos aquele trabalho de vista, porque ele está sempre se renovando. Muitos EPs são lançados com o próximo já programado para dali poucas semanas. É a sobrevivência e a rapidez falando mais alto em um momento em que tudo é tão perecível.

Ju Pires é jornalista e produtora de conteúdo com passagem pela rádio FM O Dia, Mix Rio FM e SulAmérica Paradiso. Fã de Britney Spears, seu lema é: “se a princesinha do pop superou 2007, somos capazes de superar tudo”.

Advertisement