Malammore lança o single “Tudo Passa” e exalta a força da criação artística

A canção foi inspirada por uma fotografia de William Klein e antecipa o álbum de estreia do artista português​

Malammore lança o single “Tudo Passa” e exalta a força da criação artística
Malammore por Beatriz Silvestre

Tudo Passa é o novo single de Malammore, projeto do português Sandro Feliciano. O poeta, ator e músico encontrou na palavra um espaço de pertencimento e reconstrução, e a transformou em som e imagem. A música que apresenta agora, com videoclipe,  anuncia o caminho que conduz ao seu primeiro álbum autoral: Aurora.



Inspirada por uma fotografia de William Klein, Tudo Passa se desdobra como um conjunto de reflexões sobre o impacto do mundo nas ações individuais e sobre a forma como o próprio artista se reconhece nesse movimento. “Dou conselhos a quem ouve, mas também olho para dentro e me englobo também nos conselhos que dou”, conta o artista.

A canção traduz a luta diária para não ceder ao populismo e para se afastar do ruído constante da mídia, numa busca quase renascentista por um pensamento mais livre. O resultado pode ser visto a partir de uma perspectiva em que a sociedade se encontra atravessada pelo entorpecimento, enquanto a arte, em meio a uma inversão de medidas, perde espaço e visibilidade. ​



A produção é assinada por No Icon (Rodrigo Fernandes), também responsável pela mixagem e masterização. O processo em estúdio realçou a organicidade da composição, mantendo a palavra em destaque. O videoclipe que acompanha a música foi filmado em Lisboa e tem direção do próprio artista ao lado de Miguel Zêgo Cebola – que também assina direção de fotografia, edição e color grading. A ideia central do clipe é inspirada no artista Mick Jenkins, especialmente no vídeo de “Brown Recluse”. “O vídeo é baseado acima de tudo nas palavras e na mensagem que quero passar”, afirma o artista.

SOBRE MALAMMORE

Malammore é o projeto musical de Sandro Feliciano, artista nascido em Lisboa em 2005. Filho biológico de pais desconhecidos até hoje, viveu os primeiros anos sob a tutela do Estado, até ser adotado em 2008 — um marco decisivo na sua identidade. Cresceu entre o Forte da Casa e a Póvoa de Santa Iria, onde encontrou na arte um espaço de pertencimento  e reconstrução pessoal.

Iniciado no teatro aos sete anos, o artista integrou o Grémio Dramático Povoense até os catorze, seguindo depois para a Escola Profissional de Teatro de Cascais. Aos dezesseis, foi selecionado para a peça Casa Portuguesa, encenada por Pedro Penim no Teatro Nacional D. Maria II, onde fez a sua estreia num dos palcos centrais da cena portuguesa.

O teatro consolidou-se como um eixo da sua formação artística, sempre em diálogo com a escrita que, desde a infância, o acompanha. Começou em pequenos textos e poemas influenciados por Fernando Pessoa, evoluiu para exercícios de autoconhecimento e, a partir dos dez anos, tornou-se uma prática contínua. Aos catorze, essas palavras passaram a ser musicadas, dando origem ao universo onde poesia e som se encontram em Malammore.

O primeiro passo oficial do projeto aconteceu em agosto de 2024, com o single Dia 26, seguido por NQQC e Rating Bull em 2025. Esses lançamentos, agora acompanhados de Tudo Passa, anunciam o caminho até Aurora, o primeiro álbum autoral de Malammore, que será lançado em breve.

Publicado por Gustavo Neves

Gustavo Neves, jornalista e especialista em marketing, produção de conteúdo e definição de linha editorial, possui vasta experiência na realização de entrevistas, organização de coberturas de eventos, gerenciamento de redes sociais e coordenação da equipe. E-mail: [email protected]