Lux The Lion lança “Bonnie & Clyde”

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Créditos da imagem: Divulgação

“Bonnie & Clyde” nasceu sem querer, numa tarde de domingo ao piano. E talvez seja justamente por isso que ela tenha ficado tão honesta.

Depois que os fios brancos começam a chegar, muita gente passa a conviver com uma pergunta silenciosa: e se tivesse sido diferente? E se eu tivesse ido? E se eu tivesse ficado? E se eu tivesse escolhido aquela pessoa, aquela cidade, aquela vida?



Para Lux The Lion, essa pergunta não nasce necessariamente da insatisfação. “Às vezes é só aquele bichinho que morde a cabeça da gente”, diz o artista. “Dentro de cada vida existe também uma vida que não aconteceu.”

É desse lugar que nasce “Bonnie & Clyde”: uma canção sobre caminhos, impulso, amor e pequenos universos paralelos que todo mundo visita em silêncio. A música não fala exatamente de fuga no sentido literal. Fala daquela vontade quase adolescente, e ainda assim muito adulta, de encontrar alguém que não complica o salto.



“Eu sempre preferi as pessoas do tipo: vamos? Vamos”, resume Lux. “Sem transformar desejo em relatório. Sem assembleia emocional. Só uma ligação dizendo: fica pronta, estou passando.”

A letra parte de imagens simples: chuva, café no quintal, cheiro que invade, malas prontas, alguém esperando no portão. Aos poucos, essa intimidade cresce e vira uma mitologia particular. Bonnie e Clyde, Priscilla e Elvis, Hades e Perséfone, Maria e Lampião aparecem como espelhos de uma ideia central: toda relação intensa cria a sua própria lenda.

O instrumental de “Bonnie & Clyde” foi gravado no Brasil, enquanto os vocais foram gravados no estúdio Blim, em Lisboa. A partitura apresenta um arranjo completo para voz, guitarra, teclado, baixo e bateria, uma estrutura que sustenta a sensação de movimento constante da canção, como se a música estivesse sempre a caminhar para algum lugar.

Lux The Lion é músico autodidata e toca desde criança. Não vive da música profissionalmente, pelo menos não no sentido convencional, mas gosta de pensar que algumas canções procuram, com insistência, um caminho para nascer neste mundo.

“Eu não sei se a gente escolhe todas as músicas”, diz. “Algumas parecem escolher a gente. Bonnie & Clyde apareceu assim: sem querer, eu fiz mais uma história. Uma canção sobre nós dois.”

No fim, a faixa cresce como imagem de dilúvio: alguém chega, enche o mundo, muda o clima e obriga a vida a ser repovoada. É romântica, mas não açucarada. É leve, mas não rasa. É uma música sobre o que poderia ter sido, e sobre a beleza de ainda querer ir.

Publicado por Gustavo Neves

Gustavo Neves, jornalista e especialista em marketing, produção de conteúdo e definição de linha editorial, possui vasta experiência na realização de entrevistas, organização de coberturas de eventos, gerenciamento de redes sociais e coordenação da equipe. E-mail: [email protected]