Ícone do Coco de Toré Pandeiro do Mestre, Nilton Junior une a musicalidade de Leon Adan e fazem ´Meu Maracá`

Os pernambucanos vão desde a tradição ao contemporâneo com a potência musical do single assinado por Leo Gumiero

Ícone do Coco de Toré Pandeiro do Mestre, Nilton Junior une a musicalidade de Leon Adan e fazem ´Meu Maracá`
(Crédito: Amanda Sartor)

A musicalidade difundida pela cultura dos mestiços do sertão e a percussividade de Leon Adan é um marco entre a tradição e a contemporaneidade, principalmente com a participação especial do Nilton Junior, ambos pernambucanos, Leon Adan e o fundador do Coco de Toré Pandeiro do Mestre celebram neste lançamento, o ritual da força da natureza, a ciência ancestral e a potência eletrônica com a produção musical assinada por Leo Gumiero (ímã, Mulamba, Klüber Roseane Santos, RESP, Ankou e Gume).

A composição de Leon Adan é uma homenagem à trajetória de Nilton Junior que há mais de vinte anos fortalece a cultura musical pelo Coco de Toré Pandeiro do Mestre. ´´Meu Maracá“  está disponível pelas plataformas de streaming a partir desta sexta (07).

Embora sejam conterrâneos, Leon Adan está radicado no sul do Brasil, em Curitiba. Contudo, as suas referências estão enraizadas em sua trajetória artística ao longo dos seus 18 anos de palco.

Eu já havia visto vários shows do Nilton Junior e marcou demais o início da minha trajetória como artista e influenciou a minha sonoridade. Estando fora da minha terra e retomando o meu processo artístico, ao assistir um show dele em Curitiba, percebi ele como essa potência completamente distinta daquilo que eu vivenciava no sul. A conexão dele com a tradição e a forma como ele se dedica a cultura popular para manter viva esta história, tocando e ainda cantando, é uma potência inspiradora para a composição desta canção“, rememora Leon Adan sobre a composição realizada em 2019.

Cinco anos depois, em ´´Meu Maracá“, o novo single de Leon Adan sintetiza a atual fase do artista. Além de impulsionar a cena paranaense, a partir de projetos musicais como o Bloco Araucoco, Fuá da Serra e a banda Macô. o pernambucano exalta as suas origens, mas também incorpora as suas experiências musicais ao lado de outros nomes da atual cena curitibana.

Eu falei com o Leo Gumiero e disse a ele sobre a questão do diálogo entre a modernidade e a tradição para que a música possa ser ouvida, curtida e entendida. No entanto, ´Meu Maracá` tem um pé na tradição, mas não deixa de ter a relação com a contemporaneidade a partir dos sintetizadores e o fundamento com o Nilton Junior proporcionando essa vazão ao maracá“, ressalta Leon Adan sobre a produção musical do Leo Gumiero que também assinou o single mais recente do artista: ´´Acabou a Cheia“.

Entre a palavra escrita e cantada, a relação artística entre Leon Adan e Leo Gumiero é potencializada entre os ritmos e expressões. Das especificidades da cultura popular, desde a tradição ao contemporâneo, ´´Meu Maracá“ é uma história   sonora em pleno vigor à trajetória de quase vinte anos de Leon Adan. Para Leo Gumiero, as chaves da produção destes projetos, são construções poéticas que dialogam com a realidade da atual fase do mercado fonográfico.

Nesse processo, o meu papel é procurar outras estéticas modernas que sejam apenas uma sobreposição em cima do tradicional, mas uma conversa, em que cada elemento musical esteja ali contando a mesma história, mesmo que vindo de lugares diferentes. Pensar nesses ritmos tradicionais de forma imutável, congelada no passado, é manter eles num aquário, num pedestal de museu. O nosso processo é pensar nesses ritmos como peças vivas hoje, que conversam com a atualidade e com as linguagens modernas“, pondera Leo Gumiero.

Embora a composição seja de 2019, a homenagem rendeu o intercâmbio artístico entre a produção cultural paranaense e pernambucana. Em 2021, os laços da cultura popular entre o nordeste e o sul possibilitaram um eco relevante para unificar o toré e também o forró pé de serra, onde Leon já disseminava a sua pluralidade.

Dois anos depois que eu escrevi a letra, recebi o convite da Júlia Moretti para poder fazer a produção da vinda dele para o sul após a pandemia. E desde lá, todo ano a gente traz o Nilton para participar dos projetos da Fuá da Serra que é a banda que eu tenho com a Júlia. Então, nós estreitamos os laços, e eu me sinto iniciado na arte da rima popular pelo Nilton. Sempre que ele vem, fica hospedado em casa, então nós temos a possibilidade de conversar sobre vários assuntos. Nos últimos shows dele, nós tocamos juntos, então essa admiração e o convite foi natural”, contempla Leon.

Entre letra e música, Leon e Nilton enfatizam neste encontro uma relação além do sagrado e da tradição. ´´Meu Maracá“ é um single essencial para quem contempla as possibilidades da experiência musical.

Enaltecidos pela ancestralidade afro-indígena e a cultura popular, o single é uma declaração poética sobre a certeza de dois artistas que entendem a necessidade de mostrar para novos públicos o quanto o atual momento da música também pode ser influenciado pela riqueza dos povos e das culturas originárias.

“O Nilton é descendente dos Xukuru que é uma etnia indígena presente em Pernambuco. Então, a música fala sobre a ancestralidade e a cultura popular. E essa relação do maracá que é um símbolo dos povos indígenas do nordeste pela manifestação do ritual do toré é uma simbologia muito importante para a ritualidade e para a comunicação entre o mundo dos espíritos e dos homens. Então, é extremamente significativo para mim”.

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