Entrevista: “All The Bananas”, canção satírica escrita pelo renomado banjista Joff Lowson

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Créditos da imagem: Divulgação

Se um macaco acumulasse mais bananas do que pudesse comer enquanto outros macacos passassem fome, investigaríamos esse macaco para descobrir o que há de errado com ele. Quando os humanos fazem isso, colocamos eles na capa da Time Magazine.

“All The Bananas” é uma canção satírica escrita pelo renomado banjista Joff Lowson, que ironiza o sistema insano em que todos vivemos. Um bluegrass banger cativante desde a primeira audição e que recompensa cada nova escuta.



Joff Lowson é reconhecido há mais de 30 anos como um dos melhores tocadores de banjo do Reino Unido. Já se apresentou ao vivo em rádios nacionais britânicas (BBC Radio 1, Radio 5 Live) e apareceu na televisão nacional (no programa Later with Jools Holland).

Começou a tocar banjo e violão aos cinco anos de idade e construiu uma carreira que atravessa décadas — desde apresentações em clubes de folk e bailes rurais na região de Glastonbury até sessões de rádio ao vivo que alcançaram milhões de ouvintes. Já excursionou pelo Reino Unido e Europa, trabalhou como músico de estúdio e escreveu para a revista Total Guitar.



Suas colaborações incluem nomes como John E. Vistic, Sid Griffin (Long Ryders) e The Blue Aeroplanes, com participações em grandes festivais como Glastonbury, Cambridge e Shrewsbury, além de aparições em plataformas como MTV e BBC Radio 1.

O Joff Lowson Trio, com Dave Brown (violão/vocal) e Mike Pryor (baixo acústico/vocal), traz uma mistura eclética de Bluegrass, Folk e Country, com um toque pós-moderno, atmosfera acolhedora e virtuosismo musical. Sua música conduz o público a lugares inesperados, envolvendo-os em um abraço sonoro reconfortante.

Com elogios vindos de ícones da indústria, o talento de Joff brilha:

“Joff Lowson, excelente” — Johnny Walker, BBC Radio 1
“Absolutamente brilhante” — Billy Connelly
“Um dos principais banjistas do Reino Unido” — South Wales Evening Post
“Entre Shane MacGowan e Willie Nelson, com uma honestidade e integridade que transbordam.” — Billy Quain, BCfm

Entrevista sobre “All The Bananas”

O que o inspirou a escrever essa música e que temas ou mensagens você quis transmitir?

Eu vi um meme que dizia: imagine se alguns cientistas entrassem na selva e encontrassem uma tribo de macacos se comportando de forma estranha. Alguns deles acumulavam todas as bananas, a ponto de muitos outros passarem fome. Mesmo tendo mais bananas do que poderiam comer em toda a vida, continuavam acumulando. Os cientistas diriam: “isso é interessante, precisamos investigar o que há de errado com esses macacos”. Mas quando os humanos fazem isso, chamamos de “sucesso”, “liderança inspiradora”, “exemplo a ser seguido” etc.
Comecei a imaginar o que mais esses macacos travessos fariam — e isso despertou minha criatividade! Surgiram dezenas de ideias, mais do que caberia em uma única música. Quero transmitir a mensagem de que ter todas as bananas do mundo não é tão bom quanto parece.

Pode descrever o processo criativo dessa canção? Houve momentos ou experiências específicas que influenciaram a escrita e a produção?

Eu estava no México, visitando minha guru espiritual, quando vi o meme sobre os macacos acumulando bananas. Perguntei a ela sobre o assunto, e ela respondeu que isso acontecia porque eles não tinham amor — estavam tentando preencher um vazio com bananas, algo que só o amor poderia preencher. Que absurdo! Tentei manter essa ideia na mente enquanto explorava o comportamento estranho deles.

A frase “The monkeys with all the bananas” tem um ritmo forte quando dita em voz alta, então eu sabia que seria o refrão. Naquela época, eu ouvia muita música mariachi e huasteca, e imaginei a canção com trompetes mexicanos potentes.

De volta à Inglaterra, fiquei animado para desenvolver a música e passei horas em cafés de Bristol, escrevendo em meu caderno. Foi divertido e fácil criar dezenas de versos sobre as travessuras dos macacos.

Pensei que Ozzy Osbourne abordava temas parecidos, então fiz uma sessão inteira em um bar de clube esportivo canalizando Black Sabbath, imaginando Ozzy cantando a música. Isso levou a composição a um tom mais dramático, com mudanças para tons menores nos versos. Mas mantive o foco no que minha guru havia dito: todas as bananas do mundo não compensam a falta de amor interior.

Percebi então que poderia tocar o clássico riff de “Jungle Drums” (anos 1950) no banjo, o que deu à música um toque cartunesco e divertido.

Depois de reduzir cerca de 30 versos para o formato final, senti a influência de Hank Williams, com seu senso único de ironia e pequenas “surpresas escondidas” nas letras.

A sincronicidade foi incrível! Tive a canção pronta para mostrar à banda dias antes de uma sessão agendada no Stage 2 Studios, em Bath. Ensaiamos no sábado, tocamos para um público ao vivo no domingo e gravamos no estúdio na terça-feira.

Como você descreveria o estilo musical da canção? Houve artistas ou gêneros que influenciaram o som?

É um ritmo de polca ou “two-step”, algo comum entre nós, músicos de bluegrass. A música incorpora vibes de desenhos animados antigos e pop dos anos 1930 a 1950, trazendo uma sensação divertida e cativante. Artistas como Buddy Rich e Gene Krupa certamente inspiraram os riffs de bateria.

Que significado pessoal essa música tem para você? Há letras ou melodias que se conectam à sua própria experiência?

Essa canção é muito especial para mim porque marca o auge de um período de grande crescimento e criatividade na minha vida.
Encontrei confiança em meus valores e uma forma de expressá-los de maneira engraçada e reflexiva. A mistura de humor e compaixão sobre a condição humana é algo que me representa profundamente.

O que você espera que os ouvintes levem dessa música? Como quer que se sintam ao ouvi-la?

Quero que as pessoas se sintam fortalecidas, porque, no fundo, todos sabemos que há mais na vida do que apenas bananas.

Publicado por Gustavo Neves

Gustavo Neves, jornalista e especialista em marketing, produção de conteúdo e definição de linha editorial, possui vasta experiência na realização de entrevistas, organização de coberturas de eventos, gerenciamento de redes sociais e coordenação da equipe. E-mail: [email protected]