Com uma voz que soa como jeans desgastado e uma bússola de compositor sempre apontada para a verdade, Emmett Jerome retorna com “It Ain’t Me”, uma faixa sombria de Americana aquecida em fita, que exorciza desilusões amorosas e verdades difíceis em uma performance crua, gravada ao vivo no estúdio. É o som da poeira nas botas, do coração na mão e de um jovem artista com sabedoria além da idade.
Escrita rapidamente em um violão acústico, “It Ain’t Me” captura o abalo emocional deixado por um amor que esfriou, narrado pela voz de um personagem assombrado pelo que já foi. “Relacionei a ideia de uma pessoa emocionalmente indisponível ou de coração partido à de um cavalo assustado”, conta Jerome. “Essa tensão, esse estado de alerta… é algo que conheço bem.”
Com letras que remetem a Springsteen e uma mistura envolvente de amplificadores vintage, banjo áspero e chiado de fita de estúdio, “It Ain’t Me” caminha entre o clássico e o contemporâneo. “Pra mim, soa como um lado B de banjo-rock obscuro dos anos 70 ou uma jam do Neil Young com o Crazy Horse,” diz Jerome. “Trouxemos músicos incríveis, enraizados no blues, country e rock. Dá pra ouvir isso.”
Gravada ao vivo no estúdio Afterlife Studios, em Vancouver — um espaço histórico repleto de equipamentos analógicos e de fantasmas do passado — a música mal passou por um computador. “Tirando alguns overdubs vocais e um banjo extra, o que você ouve é uma banda tocando junta numa sala. Essa energia é tudo.”
Fiel à verdade humana, Emmett Jerome encara a composição como capturar um raio em uma garrafa — algo cru, reativo e real. “Nunca quero cozinhar demais uma faixa ou forçar o processo”, afirma. “Você precisa estar num estado de antecipação e aceitação — deixando as emoções falarem sua verdade.”
