Todo mundo tem histórias para contar, mas os melhores contadores de histórias iluminam não apenas a si mesmos, mas também o mundo ao seu redor. Peggy James, de Milwaukee, é uma grande contadora de histórias, abençoada com o dom da música.
Americana é uma palavra pequena demais para descrever o mais recente álbum de Peggy, seu sétimo, Till I Turn Blue. Na faixa de abertura, “Compensation”, o twang se mistura ao jangle, o country de Bakersfield encontra o rock dos anos 60. Em apenas três minutos, Peggy condensa uma vida inteira, entregando a história de uma mulher que fez más escolhas com um homem que nunca a mereceu. O jogo de palavras é habilidoso, e as rimas são inconfundivelmente suas.
Peggy canta com uma confiança melancólica, muitas vezes apreensiva, mas nunca derrotada — seja em “There Must be Gold”, uma canção que captura a essência poderosa do folk-rock dos anos 60, ou em “First Kiss”, uma reflexão sobre um romance distante ambientado no cenário mítico de rodeios e andarilhos. Ela transita facilmente do sensível ao assertivo: a declaração bluesy de “So Over You” é tão áspera quanto o pó de serra no chão de um bar.
As músicas de Peggy são ao mesmo tempo profundamente sentidas e agudamente observadoras, cantadas com uma voz que ecoa a tradição da música country americana. No entanto, a produção do multi-instrumentista Jim Eannelli apresenta sua obra em um contexto mais amplo, que transcende categorias fáceis e atravessa diversos formatos contemporâneos de rádio e streaming. Seus dois últimos álbuns, Paint Still Wet (2020) e The Parade (2021), entraram no TOP 100 da revista Goldmine na lista de fim de ano Fabulous Songs.
