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Música

“Chegou Quem Faltava”: show inédito do Charlie Brown Jr ganha “versão do Chorão”

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CHARLIE BROWN JR scaled
(Foto: Divulgação)

Concluindo o lançamento dos conteúdos em áudio e vídeo do show, inédito nas plataformas digitais, “Chegou Quem Faltava”, do Charlie Brown Jr, chega, nesta sexta-feira (30), aos aplicativos de música a “Versão do Chorão” do show completo da performance gravada no antigo Citibank Hall, em São Paulo, no dia 19 de março de 2011. A última parte do lançamento recebeu este nome porque vem acompanhada dos momentos em que o saudoso Chorão interagiu com o público entre as músicas, dando mais sentido ao show completo.

Os conteúdos extraídos desta memorável noite trazem a formação vencedora do Grammy Latino de melhor disco de rock brasileiro, com Chorão, Thiago Castanho (guitarra), Heitor Gomes (baixo) e Bruno Graveto (bateria) em um momento de união comovente com seu público.

Lançado em fases, desde o primeiro single “Só os Loucos Sabem”, passando pelos volumes 1 e 2 e a “Versão completa”, “Chegou Quem Faltava” agora tem o material completo disponível nas plataformas digitais. O projeto já acumula mais de ou 23,6 milhões de streams de áudio e vídeo.

Vídeo Mapping

Uma ação super especial de vídeo mapping – técnica que consiste na projeção de vídeo em objetos ou superfícies irregulares – foi realizada em Santos e terá o vídeo do seu registro lançado também neste dia 30 de julho, no perfil do YouTube da banda. Para reforçar a identidade santista que o Charlie Brown Jr sempre carregou, trechos do show “Chegou Quem Faltava”, ilustrações e grafismos da banda foram projetados em lugares icônicos da cidade, como a concha Acústica (canal 3), a pista de skate da Praça Palmares, o túnel centro-praia e o conjunto Habitacional BNH (canal 5).

A direção geral ficou a cargo do VJ Spetto, santista, um dos pioneiros desta arte no Brasil e que em sua extensa carreira, com mais de 20 anos, foi também responsável pelo visual dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e já projetou vídeos em uma das maiores torres da China, a CCTV Antenna Tower, com 420 metros de altura. Ao seu lado, Giuliano Chiaradia assumiu a codireção. Com bagagem que traz direções de grandes programas como Big Brother Brasil e Criança Esperança, Giuliano foi vencedor de 12 Prêmios Internacionais e Nacionais como Melhor Diretor e Inovador.

Confira o texto oficial do projeto:

– Eu digo Charlie, vocês dizem Brown. Charlie!

– BROWN!

– Charlie!

– BROWN!

Quem viu o Charlie Brown Jr ao vivo, testemunhou uma rara comunhão entre artista e plateia. Ao longo dos anos 1990 e início dos 2000, a banda liderada pelo indomável Chorão enfileirou sucessos por todo o Brasil, deixando ainda um rastro forte no exterior, onde, até hoje, é um dos artistas mais queridos do rock brasileiro.

O fim da história, todo mundo conhece: Alexandre Magno Abrão, o Chorão, partiu em março de 2013, sendo seguido meses depois pelo fiel escudeiro Champignon, um fenômeno do contrabaixo que, aos 12 anos, já dominava um instrumento maior do que ele nos palcos, inicialmente de Santos (“família 013!”), depois do Brasil.

Mas teria sido mesmo o fim? Não há CBJR sem Chorão, mas nada nos impede de celebrar vida e obra da banda, como faz o show “Chegou Quem Faltava“, que aparece agora nos serviços de streaming, em áudio e vídeo. Gravado no Citibank Hall, em São Paulo (casa que também não existe mais, só para reafirmar o caráter histórico da empreitada), em 19 de março de 2011, o show traz a formação vencedora do Grammy Latino de melhor disco de rock brasileiro com Chorão, Thiago Castanho (guitarra), Heitor Gomes (baixo) e Bruno Graveto (bateria) em um momento de união comovente com seu público – além de um absoluto estado de graça musical e técnico. Já seria histórico se a banda estivesse aí em plena atividade. Nas condições atuais, sem Chorão e com a pandemia escurecendo os palcos, o show de rock ganha ares de celebração religiosa.

– Os fãs merecem esse presente – avalia Xande, filho de Chorão e um dos responsáveis pelo lançamento. – Fiquei impressionado com a qualidade das imagens e do som, foi uma gravação pioneira para a época em termos de tecnologia.

Ao longo de 100 minutos, Chorão, Thiago, Heitor e Graveto comandam uma sessão de hard-crossfit para um público de mais de três mil pessoas transbordando disposição, que sai do chão o tempo todo e urra a plenos pulmões sucessos como “Só Os Loucos Sabem” (single lançado hoje, 4 de junho), “O Coro Vai Comê”, “Papo Reto” e muitas outras.

O show foi lançado por partes: o Volume 1 chegou às telas e caixas de som no dia 18 de junho, com dez faixas; em 2 de julho, foi a vez do Volume 2, com outras dez; no dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock, “Chegou Quem Faltava” surgiu em sua gloriosa Versão Completa, com 29 músicas, resultado da união do Volume 1, Volume 2 e de mais nove tracks; por fim, em 30 de julho, para fechar a sequência, todas as faixas são agrupadas e lançadas juntamente com material bônus: a Versão do Chorão, em que o cantor, de ótimo humor e com a proverbial língua afiada, interage com os fãs e amigos. Talvez tenham saído alguns palavrões.

– Tô tentando achar a minha mãe… Dona Nilda, eu te amo, mais do que se pode amar. Passei de um filho problemático pra um filho problemático que te dá orgulho.

Como também causa, até hoje, orgulho ao filho Xande, hoje um marmanjo que guarda o jeito do pai.

– Eu era filho de pais separados – lembra ele. – E ele vivia viajando, nem sempre estava ali, mas qualquer bobagem que eu fizesse, a ameaça da minha mãe era definitiva: “Vou ligar pro seu pai!”. Depois nos aproximamos, e, em alguns meses, tivemos o convívio que passamos anos sem ter.

Xande se lembra bem das vezes em que viu a formação da banda presente em “Chegou Quem Faltava”. A versão enxuta dava à banda um drive diferente, com Thiago esmerilhando a guitarra, e Heitor e Graveto honrando os lugares que tinham sido de ídolos dos fãs como Champignon e o baterista Renato Pelado.

– O Graveto está com um sangue nos olhos nesse show que eu nunca tinha visto nele, destrói a bateria! – empolga-se o filho de Chorão, que homenageia no lançamento sua avó materna, enquanto Thiago Castanho dedica o trabalho a seu pai.

No palco, além do entrosamento, salta aos olhos (e ouvidos) a dinâmica do quarteto. Seria fácil – e compreensível – um show com o pé no fundo do acelerador, mas Chorão e amigos conseguem passar do pula-pula selvagem de músicas como “Gimme o Anel” e “Rockstar” (em versão inédita)  à sensibilidade de “Me Encontra” e “Te Levar Daqui”, passando pelo reggae-malandragem praiano de “Zóio de Lula”.

Para aplacar um pouco a saudade que o Brasil e o rock têm de Chorão, chegou quem faltava. Ou, como diz ele num trecho do show:

– O rock tem começo, mas não tem fim.

Por Bernardo Araujo

Jornalista, 23 anos, produtor de conteúdo, trabalho com marketing digital na indústria fonográfica. E-mail: [email protected]

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