Cédric Dind-Lavoie encontra resolução através do som no novo álbum Collages (2019–2022), com a serena faixa destaque “Lignes”

Collages (2019-2022) Album Artwork Photo Credit Alina Herta
Collages (2019-2022) Album Artwork Photo Credit: Alina Herta

O multi-instrumentista, compositor e produtor baseado em Montreal Cédric Dind-Lavoie lança seu novo álbum Collages (2019–2022), que traz como destaque “Lignes”, uma peça instrumental serena e de movimento suave. Enraizada em folktronica, krautrock e exploração acústica, a faixa oferece um momento de calma e resolução dentro de um trabalho mais amplo definido por texturas, espontaneidade e audição imersiva.

Construído a partir de composições reinventadas originalmente criadas para performances de dança contemporânea e filmes documentais, Collages (2019–2022) marca uma mudança no processo criativo de Cédric. Em vez de compor peças totalmente prontas antecipadamente, o álbum foi moldado diretamente no estúdio, abraçando experimentação e acaso. Guitarras modificadas, guitarrón mexicano, sintetizadores de brinquedo e samples artesanais feitos de materiais como papelão e papel formam uma paleta sonora tátil e inesperada.



“Este álbum me ensinou a confiar na serendipidade”, explica Cédric. “Diferente dos meus trabalhos anteriores, em que tudo era composto previamente, aqui as peças foram moldadas durante o próprio processo de gravação.”



Originalmente composta para o final da performance de dança contemporânea Suspendu au sol, da companhia Les Archipels, de Montreal, “Lignes” foi criada para evocar um sentimento de resolução e unidade. O título faz referência ao quadro final do espetáculo, em que os dançarinos se reagrupam em uma única linha após uma série de sequências caóticas, refletindo o arco emocional da faixa em direção à calma e à coesão.

Sonoramente, a música é sustentada por guitarras elétricas delicadamente sobrepostas, tocadas no modo mixolídio, com uma pulsação rítmica construída a partir de um sample de stomp box. O resultado remete de forma sutil à sensação motorik do krautrock dos anos 1970, reinterpretada por uma perspectiva mais suave e intimista. Assim como no restante do álbum, cada elemento é tratado com contenção, permitindo que espaço, textura e detalhe carreguem o peso emocional.

Publicado por Gustavo Neves

Gustavo Neves, jornalista e especialista em marketing, produção de conteúdo e definição de linha editorial, possui vasta experiência na realização de entrevistas, organização de coberturas de eventos, gerenciamento de redes sociais e coordenação da equipe. E-mail: [email protected]