Na madrugada de segunda-feira (27), Diego Hypolito teve uma crise de ansiedade e precisou receber atendimento médico no confessionário do Big Brother Brasil 25. O episódio mobilizou os colegas de confinamento, que ofereceram apoio ao ginasta. Reconhecido como um dos maiores nomes da ginástica brasileira, Diego tem sua trajetória marcada por resiliência e superação de desafios que vão além do esporte, refletindo também em sua saúde mental.
Diego Hypolito fez história ao ser o primeiro ginasta masculino do Brasil e da América do Sul a conquistar medalhas em Campeonatos Mundiais. Determinado e resiliente, enfrentou inúmeros obstáculos ao longo da carreira, incluindo 11 cirurgias e dificuldades financeiras no início de sua jornada no esporte. Yan Cintra, psicólogo clínico e especialista em psicologia do esporte, explica que toda essa resiliência, no entanto, vem acompanhada de uma alta cobrança, algo intrínseco ao esporte de alto rendimento.
“O perfeccionismo, quando exacerbado, pode levar a uma autocrítica constante e a padrões de expectativa irrealisticamente elevados. Isso cria um estado mental onde a pessoa se sente incapaz de relaxar, preocupada em atender a um ideal que muitas vezes é inatingível. Nos atletas, esse traço é amplificado pelas demandas do esporte de alto rendimento, onde erros mínimos podem comprometer anos de trabalho”, detalha.
Esse padrão mental, como explica o especialista, não se limita às competições. “O histórico de treinos intensos e alta cobrança molda a percepção de valor dos atletas, muitas vezes vinculando sua identidade às conquistas esportivas. Isso significa que, mesmo fora das competições, a busca por excelência continua presente em outras áreas da vida”, completa.
Emoções à flor da pele
No confinamento, essas características podem se intensificar, como ficou evidente no episódio enfrentado pelo ginasta. Antes de sua entrada no reality, Diego Hypolito, em conversa com sua assessoria, trouxe à tona a relevância do cuidado com a saúde mental. O ex-ginasta enfatizou que esse tema, por muito tempo negligenciado, precisa ser debatido sem preconceitos e com a devida atenção que merece.
De acordo com o psicólogo, a experiência de estar em um programa como o BBB potencializa os desafios emocionais de quem já lida com a ansiedade. “O confinamento reduz a liberdade de ação e as possibilidades de fuga de situações estressantes, além de expor as pessoas a dinâmicas interpessoais constantes que podem ser desgastantes. Para alguém com predisposição à ansiedade, isso pode gerar uma sensação de desamparo ou intensificar preocupações já existentes”, destaca Cintra.
Para enfrentar esses desafios, os atletas podem adotar estratégias que ajudem a equilibrar o desejo por excelência com a saúde mental. “Entre as estratégias mais eficazes estão o acompanhamento psicológico e a prática da autorreflexão para redefinir metas e valores pessoais”, recomenda.
A construção de uma rede de apoio emocional e a adoção de hábitos que promovam bem-estar, como meditação, exercícios moderados e hobbies, também é importante. Diego não está sozinho no confinamento, pois além do apoio dos colegas de programa, ele conta também com o incentivo de sua irmã, Daniele Hypolito.
“Esse apoio familiar pode funcionar como um “porto seguro” em meio ao estresse, reduzindo a sensação de isolamento e ajudando a regular emoções intensas. No confinamento, onde as redes externas estão ausentes, essa figura ganha ainda mais relevância para favorecer o bem-estar emocional“, finaliza Cintra.
