Balla e os Cristais lança disco de estreia ‘Jogo do Bicho’

04 FotoDivulgação Gabriela Perez @gabrielaperezphoto scaled

Tudo nesse disco é uma provocação”, alerta Rafael Balla, o compositor e vocalista que nomeia a banda carioca Balla e os Cristais. O disco de estreia, “Jogo do Bicho”, que chegará às plataformas digitais neste 25 de junho, vem com sete faixas, cinco delas compostas por eles e duas regravações – “Zé do Caroço”, sucesso de Leci Brandão, e “Comportamento Geral”, clássico de Gonzaguinha -, que ganharam versões roqueiras.

Nos ouvidos, bate aquele som punk, mas com um suingue bem brasileiro. Se o rock assinala todo o álbum, ele deixa um espaço confortável para que referências da cultura popular entrem na dança, numa tentativa de desconstrução dos padrões americanos comuns no gênero.

“Jogo do Bicho” começa com “Vocês são todos idiotas”, música escolhida para abrir a maioria dos shows da banda. “Ela chama as pessoas porque elas foram lá ver um show de rock e se surpreendem com um violão fazendo uma batida meio baião com progressão de samba, até que entra o nosso peso sonoro, provocando um estranhamento”, conta Balla.

Mixado por Jr. Tostoi, o disco foi masterizado por Carlos Freitas (colocou as mãos em trabalhos de João Gilberto, Tim Maia e Gilberto Gil, além do clássico ‘Da lama ao Caos’, álbum fundador do Manguebeat de Chico Science). Como resultado estético, a banda produziu uma sonoridade efusiva, que faz pular, movimentar, reagir, a partir de uma poética que ajusta ironia e agressividade.

Na faixa seguinte, “Andam Dizendo”, eles fazem “uma crônica urbana e irônica sobre o elitismo do meio, sobre o que há de panfletário e o que há de segregador no underground hypado do Rio de Janeiro”, avalia ele, com a experiência que tem na cena carioca. Já a terceira das sete músicas, “Matando Moinhos de Vento”, foi o single escolhido para ser lançado antes da bolacha completa.

É um desabafo acerca do mundo caótico e hipócrita que a gente cultiva. E ela chuta o balde, já que o capital ainda é a finalidade da encarnação humana e nós temos que nos adaptar. Herdamos problemas sociais que nem sabemos de onde vieram e a reflexão vem daí”, alfineta Balla, dono de timbre de voz grave e aveludado que toma conta de todos os espaços logo nos primeiros acordes.

O disco vai avançando, conquistando os ouvidos e chega outra provocação, mais fanfarrona. “Fala, quer invadir” foi inspirada naquele guri que caía chorando na pelada, chamava a babá e levava a bola embora, deixando os amigos sem futebol.

Esse moleque cresceu e tá pagando 100 mil pra bombar a música dele nas plataformas. Não faz um show, um corre, não carrega equipamento, não pega busão lotado e fica convencendo o mundo inteiro todo dia de que aquilo pode ser bom. Um belo dia, a gente vê que o playboy bateu um milhão de views. Não é por mérito, e essa é uma música de vingança, tipo Bastardos Inglórios”, imagina, fazendo alusão ao filme dirigido por Quentin Tarantino.

Em seguida, duas músicas que muitos de nós sabemos de cor: “Comportamento Geral”, de Gonzaguinha, hino crítico e atemporal sobre a postura pacata e subserviente do trabalhador brasileiro, e “Zé do Caroço”, de Leci Brandão. Ambas, já regravadas por grandes nomes, foram recriadas à maneira eufórica da banda.

O samba da Leci emociona Rafael Balla por fazê-lo lembrar de suas origens. “Volto às lembranças da minha família, o que eu acho que sou de verdade, um misturado de tudo isso, e às vezes eu me esqueço, nessa roda viva do mundo. É uma mensagem pra mim mesmo”, rebobina.

“Jogo do Bicho” termina com “Canta”, mais relaxada, falando sobre sexo e trazendo uma referência à canção “Circuito Universitário”, do Zé Rodrix, de 1973. “Foi uma lembrança na quarentena, da beleza e do poder que são as grandes aglomerações, do quanto precisamos disso pra viver”, defende o vocalista.

Written by Gustavo Neves

Além de gerenciar o conteúdo do portal, trabalho com marketing digital na indústria fonográfica com serviços prestados à gravadoras e grandes artistas.

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