Gui Reix é ator e graduando em Produção Cultural pelo IFRJ, Nilópolis. Com início da formação artística em 2011, conta com uma bagagem extensa de projetos audiovisuais e teatrais. Agora integra o elenco do espetáculo “O Patinho Feio”, uma emocionante e criativa adaptação em forma de cordel do clássico conto de Hans Christian Andersen.
No espetáculo em que o ator dá vida a 5 personagens distintos, o elenco traz leveza e profundidade, abordando temas como aceitação, pertencimento e diversidade, tudo costurado pela poesia do cordel e pela musicalidade ao vivo. Com elementos da cultura popular nordestina, a montagem celebra o poder da diferença e a beleza das relações verdadeiras, com um olhar sensível voltado para o público infantil.
A produção do espetáculo é realizada pela Candhí Produções Artísticas, produtora cultural fundada pelo ator, dramaturgo e produtor Cesário Candhí, que celebra 40 anos de carreira artística com essa montagem.
Em entrevista, ele compartilha bastidores, desafios e demais vivências com a obra “O Patinho Feio”. Confira:
Gui, como foi o seu primeiro contato com “O Patinho Feio” e o que mais te chamou atenção na proposta dessa montagem em cordel?
Meu primeiro contato com o espetáculo foi sendo parte da produção de palco e assistência de luz em alguns momentos. O que mais me chamou atenção foi o fato de como o cordel casou muito bem com formato de teatro mais próximo da contação de história, quando assumimos os narradores da peça.
A peça já foi contemplada por diversos prêmios e editais. Como é, para você, fazer parte de um espetáculo tão reconhecido e premiado?
Gratificante! Conheço o grupo há algum tempo e sei que as premiações e indicações recebidas não refletem nada além da qualidade artística dos artistas descentralizados.
Quem é seu personagem? Conta um pouco sobre ele?
Cipriano, o patinho irmão mais velho do Chiquinho; Geremias, um urubu que mora pela vizinhança e tem ar mais carioca malandro ou malandro carioca; Tuninho, um calango e cantador além de ser melhor amigo de Chiquinho; Carranca, personagem coletivo dividido entre 4 atores e atrizes; Coruja, personagem feito por manipulação de objeto inanimado (neste caso uma lamparina elétrica)
Você interpreta um personagem que também canta e toca instrumentos em cena, certo? Como foi se preparar para essa multiplicidade de funções?
Foi desafiador e maravilhoso! Poder explorar outras dinâmicas artísticas inclusivas, como a música, em um espetáculo pensado para o público infantojuvenil agregou muito para reforçar as mensagens de forma lúdica e integrativa.
A peça trabalha temas como acolhimento, diferenças e identidade. De que forma você acha que essa história toca o público infantil – especialmente os alunos da rede pública?
A história atravessa os alunos da rede pública exatamente pela simplicidade na forma que é contada, uma poesia que faz cair por terra quaisquer possibilidades de bullying, pois eles tem acesso a uma realidade fantástica que transforma o jeito de se enxergar e enxergar os demais. Termos como feio e bonito são questionados, as diferenças são exaltadas como singularidades e traços da personalidade e com isso há o empoderamento dos corpos que consomem o espetáculo.
A montagem é situada no sertão e utiliza elementos da cultura popular nordestina. Como você enxerga a importância dessa valorização cultural no teatro infantojuvenil?
Falar sobre as escolhas culturais do texto é falar mais uma vez de acessibilidade. Desta vez cultural, pois acaba mostrando o Brasil diverso que existe em um só país. Ao escolher recontar o conto agora situado no nordeste, o espetáculo põe foco em “herois” e/ou narrativas fora do eixo sudeste do país e explora a fundo justificativas culturais dentro da peça pra que o público impactado saia nutrido de uma nova forma de fazer cultural popular.
Como é trabalhar ao lado de artistas como Cesário Candhí, Nancy Calixto e os demais colegas de elenco? Há algo único na troca entre vocês?
É como trabalhar em família, como estar no palco apenas brincando com alguns amigos, jogando a peteca um para o outro com muita bondade e parceria. É como ser criança junto com a plateia.
E por fim, quais aprendizados pessoais você leva com você após viver essa história e agora levá-la para o público?
O que eu mais levo comigo do espetáculo é que um rio nunca é tão grande que a gente não possa atravessar. Coragem!
