O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro foi tomado pela energia dos paredões de som automotivo nos dias 15 e 16 de maio de 2026. A edição Arranque! do Festival Paredão recebeu cerca de 4 mil pessoas ao longo dos dois dias de programação, consolidando o evento como um dos mais vibrantes e representativos da cultura musical periférica do país.
Com entrada gratuita, o festival ocupou a área externa do CCBB Rio com shows, cinema a céu aberto, feira de vinil e gastronomia, e provou que o funk, o tecnobrega, o pagodão, o passinho e os ritmos das periferias e dos interiores do Brasil têm muito a dizer no coração do centro histórico carioca.
Esta edição prestou uma homenagem à cultura dos paredões de som automotivos: grandes estruturas de amplificação que há décadas impulsionam a música popular em regiões muitas vezes invisibilizadas pela indústria cultural. Nascidos nas periferias e nos interiores do Brasil, os paredões são muito mais do que equipamentos de som: são territórios de festa, de resistência e de identidade. Ao trazer essa cultura para um dos principais centros culturais do país, o Arranque! fez circular artistas de diferentes regiões, muitos deles se apresentando pela primeira vez no Rio de Janeiro, e colocou em cena uma diversidade sonora que raramente ganha os holofotes da cidade.
No palco, o festival reuniu atrações de Norte a Sul do Brasil. Na sexta-feira, o público recebeu DJ Pedrita, primeira mulher DJ de aparelhagem do oeste do Pará, que trouxe o tecnobrega e a força da cultura amazônica; MC Morena, uma das vozes mais ouvidas do funk mineiro; Gugs e DJ Gaby Leão, representantes da nova cena de São Luís; e o Jamaicaxias, coletivo da Baixada Fluminense que conecta o dancehall jamaicano à periferia brasileira.
No sábado, foi a vez de Destemida IDD e DJ Iasmin Turbininha levarem o passinho e o funk para o palco, seguidas pelo Bloquinho Delas, coletivo baiano liderado por mulheres, DJ Eva de LC, revelação da cena underground maranhense, e DJ Larinhx, representando o Rio de Janeiro.
Uma das novidades mais celebradas desta edição foi o cinema a céu aberto, inédito no CCBB Rio. Na sexta-feira, quatro curtas-metragens foram exibidos: “Radiola de Promessa”, de Gê Viana, “Nada Haver”, de Juliano Gomes, “Grão”, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, e “A Queda do Céu | Aquilo que os Jovens Chamam de Música – Cap. II”, de Fernando Nogari, com a presença de alguns dos realizadores, que participaram do momento com o público. No sábado, o longa “Massa Funkeira”, de Ana Rieper, abriu a noite, e a sessão ganhou um charme especial: Destemida IDD e DJ Iasmin Turbininha, entrevistadas no filme, subiram ao palco logo em seguida, transformando a tela em passarela.
Ao longo dos dois dias, a partir do meio-dia, a “Carrinho de Feira” animou a área externa com gastronomia e discos de vinil – também uma estreia no espaço -, criando um ponto de encontro que misturou diferentes públicos antes mesmo de o sol se pôr. A programação diurna e gratuita reforçou o compromisso do festival com a democratização do acesso à cultura e ampliou a experiência do evento para além dos shows noturnos.
“A cultura dos paredões sonoros é viva, é potente e está em todo o Brasil e cada edição do festival é uma prova disso. Levar essa diversidade para o centro do Rio, de forma gratuita e plural, é um ato político e afetivo ao mesmo tempo”, afirma Jasmine Giovannini, uma das idealizadoras do Festival Paredão.
SOBRE O CCBB RIO DE JANEIRO:
Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 36 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.
